Chovia, mesmo assim isso não o impediu de sair de casa. Ele simplesmente não agüentava mais ficar lá, sozinho na frente do computador. Bebeu uma cerveja e foi para rua. Ao botar os pés fora de casa logo se arrependeu por ter saído de sua casa quentinha e entediante, porém protegida contra a chuva. Era uma segunda, uma amarga segunda chuvosa a dias do carnaval. Ele sabia que tudo melhoraria em questão de dias, ou até mesmo horas, mas insistiu no erro como um verdadeiro burro que é.
Saiu andando pelas ruas em busca de...Em busca de um algo, um algo perdido, que jamais será encontrado direito, e junto disso ele estava acompanhado daquela sensação de insatisfação. Uma insatisfação, satisfeita por na fazer nada, mas que o seguia por não fazer exatamente porra nenhuma. Ele parou num boteco comprou uma cerveja e seguiu andando.
Ele sabia que não queria respostas, não estava a fim de refletir. Também não havia muito que se refletir, talvez a sua vida, mas ele deixa isso pra os momentos mais solitários e sublimes, como quando ele ia ao banheiro. Ele era um homem teoricamente perturbado o suficiente para ser considerado normal, e ele achava normal isso: pensar na vida defecando, ele achava isso até ironicamente cômico, afinal ele estava, como dizem, “cagando pra vida”. Talvez fosse um caso de sexo, nem era abstinência, mas ele não tava fazendo nada e praticar um bom vai e vem seria bom pra matar umas horas. Começou a pensar em quem poderia praticar isso com ele, naquele momento. Não conseguiu pensar em ninguém disponível no momento, talvez quem sabe no carnaval...
De repente, surgiu um shopping no seu caminho. Entrou, achou um cinema, viu que uma sessão qualquer de um filme qualquer ia começar a dez minutos. Era o tempo dele achar cerveja e amendoins. E entrou pra ver um filme de animação de no mínimo duas horas com um saco de amendoim e seis long necks. E lá ele ficou no meio do cinema lotado bebendo cerveja e comendo amendoim sem prestar atenção ao filme. Ele se sentiu menos mal, se sentiu humano, se sentiu acolhido por aquela multidão prestando atenção nos lasers vermelhos que passavam pela tela e naquele escuro, já embriagado, ele chorou.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Meca
Dia desses rumando
Em alguma viagem minha alucinada
Ou em algum sonho,
Deparei-me com uma estrela de Davi.
Que me levou para Israel.
Mostrou-me suas belezas,
Seus problemas, suas coisas
Suas manias, suas crônicas.
Depois, colocou-me numa caravana
Rumo à Meca.
Lá fui acolhido
Como um amante...
Entrei pelas suas ruas,
Pelos seus templos,
Pelas suas vielas.
Descobrindo olhares,
Sons, prazeres
Que nunca antes tinha visto.
Eu gostei daquele lugar!
E quanto mais eu entrava,
Mais eu me sentia envolto de gozo
E de prazer ao redor:
De suas cores vivas,
De seus gemidos prazerosos,
De seus olhares afetuosos...
Acabei me acostumando.
E fiquei, sem esperar nada.
Fiquei como mais um cigano
Acolhido por aquele coração caloroso.
E esqueci de lhe atribuir tudo aquilo.
E quando resolvi ir embora como entrei
Fui expulso, deportado pela minha ingratidão.
Pela minha falta de comprometimento,
Não posso mais pisar lá...
Hoje brigo com a embaixada para tentar voltar.
Apenas quero voltar a ser amigo dela,
Tentar mostrar a ela quem eu sou,
E por que estive e estou ali.
Em alguma viagem minha alucinada
Ou em algum sonho,
Deparei-me com uma estrela de Davi.
Que me levou para Israel.
Mostrou-me suas belezas,
Seus problemas, suas coisas
Suas manias, suas crônicas.
Depois, colocou-me numa caravana
Rumo à Meca.
Lá fui acolhido
Como um amante...
Entrei pelas suas ruas,
Pelos seus templos,
Pelas suas vielas.
Descobrindo olhares,
Sons, prazeres
Que nunca antes tinha visto.
Eu gostei daquele lugar!
E quanto mais eu entrava,
Mais eu me sentia envolto de gozo
E de prazer ao redor:
De suas cores vivas,
De seus gemidos prazerosos,
De seus olhares afetuosos...
Acabei me acostumando.
E fiquei, sem esperar nada.
Fiquei como mais um cigano
Acolhido por aquele coração caloroso.
E esqueci de lhe atribuir tudo aquilo.
E quando resolvi ir embora como entrei
Fui expulso, deportado pela minha ingratidão.
Pela minha falta de comprometimento,
Não posso mais pisar lá...
Hoje brigo com a embaixada para tentar voltar.
Apenas quero voltar a ser amigo dela,
Tentar mostrar a ela quem eu sou,
E por que estive e estou ali.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A Voz Grave
A mente feminina tem umas coisas incríveis e o produto, ou substância, mais nefasto é o romantismo. Se bobiar quase toda mulher tem uma ideia distorcida sobre isso, que se faz presente numa imagem alucinantemente vertiginosa por mesclar flores, campos silvestres, montanhas, praias, camas gigantes, chocolates, luzes baixas, jacuzzis, champanhes, morangos, rosas, amoras adocicados e um tanto cítricos, poemas, frases lentas e um misto de Barry White com o melhor da música francesa (Serge Gainsbourg, de leve). Também deve haver o homem que chega ao ambiente sendo imponente, potente e sensível! Algo como um belo cavalheiro da Disney, ou algo como um fera indomável que pode beijar os seus lindos pés aveludados. Não sei se todas as mulheres compartilham dessa assombrante imagem, espero que não, mas sei que há certos pontos, disso que eu acabei de descrever, podem estar em intercessão nesse tocante das deliciosamente delirantes mentes femininas.
A coisa é que esse romantismo se tornou totalmente materialista e hoje em dia um cara é romântico por ele ter uns três milhões no banco, o que não é uma coisa ruim, pois ele poderá dar todas as montanhas, cavalos, chocolates, Al Greens e enfins! Isso também acabou com o cara que faz poemas, o colocou no mesmo nível dos sensíveis sentimentais e cheios de não me toque e dos loucos depressivos. Então o cara que faz poemas não é tão romântico assim! Todas dizem que acham lindo, fofo, mas não são todas que recebem bem um poema falando dos peitos dela, ou como ela ficou linda naquele vestidinho roxo que quase fez o poeta explodir.
No final eu não sou nem um pouco romântico! Pois não tenho o “quê” material, e sou um poeta sujo. Talvez eu seja até um pouco sentimental debaixo da minha crosta de grosserias. Minha poesia é aquela do homem mediano com uma vida cheia de conflitos e sempre permeada a música. Do homem enrijecido pela vida, por uma sociedade que o transforma em algo duro e áspero, que o fez guardar os passarinhos numa gaiola tão escura e tão distante que ele nunca consegue colocá-los para fora sem ter medo que eles não voltaram machucados.
Mas esse é o meu romantismo: o imaterial, o anti-poético mela cueca, o prosaico que sabe lidar com as diversidades se pondo nas situações. Eu sou um romântico de guerrilha, sem reforços, sem suprimentos, sem dinheiros, o da ação direta e subversiva! O da voz grave que faz ressoar na mente feminina, que chega por trás e que deslancha tudo ao improviso ao som de qualquer coisa em qualquer momento, pois são as pessoas que criam os momentos não os momentos que nos criam!
A coisa é que esse romantismo se tornou totalmente materialista e hoje em dia um cara é romântico por ele ter uns três milhões no banco, o que não é uma coisa ruim, pois ele poderá dar todas as montanhas, cavalos, chocolates, Al Greens e enfins! Isso também acabou com o cara que faz poemas, o colocou no mesmo nível dos sensíveis sentimentais e cheios de não me toque e dos loucos depressivos. Então o cara que faz poemas não é tão romântico assim! Todas dizem que acham lindo, fofo, mas não são todas que recebem bem um poema falando dos peitos dela, ou como ela ficou linda naquele vestidinho roxo que quase fez o poeta explodir.
No final eu não sou nem um pouco romântico! Pois não tenho o “quê” material, e sou um poeta sujo. Talvez eu seja até um pouco sentimental debaixo da minha crosta de grosserias. Minha poesia é aquela do homem mediano com uma vida cheia de conflitos e sempre permeada a música. Do homem enrijecido pela vida, por uma sociedade que o transforma em algo duro e áspero, que o fez guardar os passarinhos numa gaiola tão escura e tão distante que ele nunca consegue colocá-los para fora sem ter medo que eles não voltaram machucados.
Mas esse é o meu romantismo: o imaterial, o anti-poético mela cueca, o prosaico que sabe lidar com as diversidades se pondo nas situações. Eu sou um romântico de guerrilha, sem reforços, sem suprimentos, sem dinheiros, o da ação direta e subversiva! O da voz grave que faz ressoar na mente feminina, que chega por trás e que deslancha tudo ao improviso ao som de qualquer coisa em qualquer momento, pois são as pessoas que criam os momentos não os momentos que nos criam!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Sensações Novas De Uma Volta Esperada
Ele tinha acabado de chegar a casa após uma exaustiva viagem, colocou a mala na sala, a mochila sobre o sofá, bebeu uma cerveja, tomou banho e resolveu dormir.
Sonhou que estava no meio de um deserto sendo perseguido por uma manada de elefantes rosa. Ele corria, mas os elefantes o perseguiam sobre as amarelas dunas daquele fim de mundo de nuvens púrpuras e de sol vermelho. De repente, ele não conseguia mais se locomover, ele não percebeu que estava em cima de uma areia movediça. O certo, como todo filme manda, é não se mexer, agarrar alguma coisa, sei lá, mas ele não parava de se mexer. Ele estava em pânico, desesperado para sair dali, mas a cada movimento que dava mais ele era sugado pela quente areia amarela daquele deserto e mais próximos os elefantes estavam. Logo ele se viu apenas com a cabeça para fora da areia e com muitos elefantes ao redor dele, olhando pra ele, com um olhar sarcástico, sentindo um prazer quase que masoquista, por vê-lo sumir lentamente pela terra.
Tudo estava escuro, ele levantou. Estava no meio de um banheiro sujo, com uma música alta tocando. Ele saiu do banheiro e se viu num mar de mulheres dançando ao som hipnótico que saia das caixas, elas pareciam estar em um transe. E luzes de todas as cores piscavam e cheiros de todos os cantos saiam. E ele foi andando por aquele mar de mulheres maravilhosas até encontrar uma criança, que chegou até ele e disse:
— Você não pode ficar aqui. — E ele nem teve tempo de responder e logo levou um belo soco na cara e caiu.
Caiu de cara com o seu travesseiro. Mas aquele não era o seu travesseiro, nem sua cama, nem ele! Ele começou a sentir um enjôo, e uma vontade de vomitar. E logo levantou e saiu correndo, instintivamente, achou um banheiro e vomitou sua alma no vaso. Ao levantar começou a sentir um dor na sua parte inferior, bem na sua bunda. E ao olhar-se ao espelho ele se deparou com o fato de ser uma mulher, uma mulher bem gostosa por sinal ( ele pensou). Ele olhou pro seus peitos, seus fartos seios, e começou a se tocar e a gostar disso. Sentou no vaso e começou a brincar com as rodelas rosadas de seus mamilos. Com a outra mão começou a percorrer outras partes do seu corpo até chegar a sua buceta. Ele ficou terrivelmente encantando mexendo nela, tocando e sentindo, acariciando e tendo essa resposta sensível. Ele ficou lá se contorcendo no vaso até que teve a ideia de voltar para a cama, correu e se jogou na grande cama de casal e ficou lá pelada em cima da cama, se tocando, se acariciando, se mimando, se masturbando como nunca antes ele havia feito! Quando olho para o teto se viu no espelho ela em todo o seu esplendor, seus olhos verdes, seus cabelos negros e longos, seus seios fartos, de pernas abertas mostrando sua delicada bucetinha rosada, seus pequenos lábios fechados, sendo invadidos pelas suas ferozes unhas vermelhas! E ela gozou, gozou como nunca antes (ele nunca tinha se sentindo tão bem), ficou curtindo aquela “onda” e dormiu. Ela acordou com algo entrando e saindo da sua bunda, arrastando pelas bochechas, aquela coisa doía, mas ao mesmo tempo ela gostava. E assim ela ficou, fingindo que estava dormindo.
Ele acordou com um susto, certificou se algo tinha ocorrido com ele, nada. Foi só um sonho, um sonho muito estranho. Ele se levantou, foi ao banheiro. Eram seis horas da tarde, não havia nada para fazer, ele foi a cozinha abriu outra cerveja e ficou debruçado na janela ouvindo o reggae que saia da janela do seu vizinho de cima. O grave era tão forte que ele sentia no peito, e isso o acalmava, e ele bebia a cerveja dele pesando no que fazer, no final do dia, no dia seguinte, vendo a rápida vida passar bem diante da sua janela, como uma revoada de pombos famintos, em busca de abrigo para mais um dia.
Sonhou que estava no meio de um deserto sendo perseguido por uma manada de elefantes rosa. Ele corria, mas os elefantes o perseguiam sobre as amarelas dunas daquele fim de mundo de nuvens púrpuras e de sol vermelho. De repente, ele não conseguia mais se locomover, ele não percebeu que estava em cima de uma areia movediça. O certo, como todo filme manda, é não se mexer, agarrar alguma coisa, sei lá, mas ele não parava de se mexer. Ele estava em pânico, desesperado para sair dali, mas a cada movimento que dava mais ele era sugado pela quente areia amarela daquele deserto e mais próximos os elefantes estavam. Logo ele se viu apenas com a cabeça para fora da areia e com muitos elefantes ao redor dele, olhando pra ele, com um olhar sarcástico, sentindo um prazer quase que masoquista, por vê-lo sumir lentamente pela terra.
Tudo estava escuro, ele levantou. Estava no meio de um banheiro sujo, com uma música alta tocando. Ele saiu do banheiro e se viu num mar de mulheres dançando ao som hipnótico que saia das caixas, elas pareciam estar em um transe. E luzes de todas as cores piscavam e cheiros de todos os cantos saiam. E ele foi andando por aquele mar de mulheres maravilhosas até encontrar uma criança, que chegou até ele e disse:
— Você não pode ficar aqui. — E ele nem teve tempo de responder e logo levou um belo soco na cara e caiu.
Caiu de cara com o seu travesseiro. Mas aquele não era o seu travesseiro, nem sua cama, nem ele! Ele começou a sentir um enjôo, e uma vontade de vomitar. E logo levantou e saiu correndo, instintivamente, achou um banheiro e vomitou sua alma no vaso. Ao levantar começou a sentir um dor na sua parte inferior, bem na sua bunda. E ao olhar-se ao espelho ele se deparou com o fato de ser uma mulher, uma mulher bem gostosa por sinal ( ele pensou). Ele olhou pro seus peitos, seus fartos seios, e começou a se tocar e a gostar disso. Sentou no vaso e começou a brincar com as rodelas rosadas de seus mamilos. Com a outra mão começou a percorrer outras partes do seu corpo até chegar a sua buceta. Ele ficou terrivelmente encantando mexendo nela, tocando e sentindo, acariciando e tendo essa resposta sensível. Ele ficou lá se contorcendo no vaso até que teve a ideia de voltar para a cama, correu e se jogou na grande cama de casal e ficou lá pelada em cima da cama, se tocando, se acariciando, se mimando, se masturbando como nunca antes ele havia feito! Quando olho para o teto se viu no espelho ela em todo o seu esplendor, seus olhos verdes, seus cabelos negros e longos, seus seios fartos, de pernas abertas mostrando sua delicada bucetinha rosada, seus pequenos lábios fechados, sendo invadidos pelas suas ferozes unhas vermelhas! E ela gozou, gozou como nunca antes (ele nunca tinha se sentindo tão bem), ficou curtindo aquela “onda” e dormiu. Ela acordou com algo entrando e saindo da sua bunda, arrastando pelas bochechas, aquela coisa doía, mas ao mesmo tempo ela gostava. E assim ela ficou, fingindo que estava dormindo.
Ele acordou com um susto, certificou se algo tinha ocorrido com ele, nada. Foi só um sonho, um sonho muito estranho. Ele se levantou, foi ao banheiro. Eram seis horas da tarde, não havia nada para fazer, ele foi a cozinha abriu outra cerveja e ficou debruçado na janela ouvindo o reggae que saia da janela do seu vizinho de cima. O grave era tão forte que ele sentia no peito, e isso o acalmava, e ele bebia a cerveja dele pesando no que fazer, no final do dia, no dia seguinte, vendo a rápida vida passar bem diante da sua janela, como uma revoada de pombos famintos, em busca de abrigo para mais um dia.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Contra o Espelho
Corpo, partido.
Espelho, tinindo,
Me mostra o abrigo
Daquele vazio.
D’um reflexo infindo,
Mostra-me espremido
Sozinho e pequeno.
Ligado num laço
Tão sujo quanto um nó
De cadarço.
Prendendo-me num delírio,
Tão delirante, tão indefinido,
Que me faz gritar ao relento.
O meu passado.
Afiado, gritado, chorado, explorado:
“Feio, porco, tosco, banal,
Idiota, estapafúrdio, ogro,
Mentecapto, imprestável,
Vagabundo; isso era o que
Me diziam. E assim eu
Fui crescendo e aceitando.
E comecei a beber e fumar,
Criei maus hábitos para,
Esquecer do que diziam.
No final, virei poeta...”
E assim vou me perdendo
Com discursos ao vento
Que não se somam, que não criam, que não servem para nada!
Lapsos de uma vida sem glórias.
Com pequenas esperanças como, talvez, ao voltar do trabalho:
Um breve trago (de uísque) e um cigarro.
Para tirar o amasso da cara, de dias mal vividos.
Sei que não sou o único a reclamar disso,
Muitos antes de mim já reclamaram.
E até fizeram sucesso, com seus blues,
Seus sambas, seus tangos, seus fados, seus punks!
Eles também reclamaram, ou deviam reclamar,
Dos frascos, dos troços, dos Marios, dos equinócios,
Das mulheres, das sequelas, das lanternas, dos talheres.
Que não me dizem nada!
E assim vivemos. Tão juntos, porém tão separados.
Como lobos alfas de suas respectivas alcatéias
De sonhos e angustias,
De medos e de faltas...
Falta de algo tão grande e tão indefinido, que uns falariam de fé.
Mas eu realmente não acredito nisso.
E assim vamos fazendo uivos poéticos
Para tentar conquistar aquela grande lua.
Espelho, tinindo,
Me mostra o abrigo
Daquele vazio.
D’um reflexo infindo,
Mostra-me espremido
Sozinho e pequeno.
Ligado num laço
Tão sujo quanto um nó
De cadarço.
Prendendo-me num delírio,
Tão delirante, tão indefinido,
Que me faz gritar ao relento.
O meu passado.
Afiado, gritado, chorado, explorado:
“Feio, porco, tosco, banal,
Idiota, estapafúrdio, ogro,
Mentecapto, imprestável,
Vagabundo; isso era o que
Me diziam. E assim eu
Fui crescendo e aceitando.
E comecei a beber e fumar,
Criei maus hábitos para,
Esquecer do que diziam.
No final, virei poeta...”
E assim vou me perdendo
Com discursos ao vento
Que não se somam, que não criam, que não servem para nada!
Lapsos de uma vida sem glórias.
Com pequenas esperanças como, talvez, ao voltar do trabalho:
Um breve trago (de uísque) e um cigarro.
Para tirar o amasso da cara, de dias mal vividos.
Sei que não sou o único a reclamar disso,
Muitos antes de mim já reclamaram.
E até fizeram sucesso, com seus blues,
Seus sambas, seus tangos, seus fados, seus punks!
Eles também reclamaram, ou deviam reclamar,
Dos frascos, dos troços, dos Marios, dos equinócios,
Das mulheres, das sequelas, das lanternas, dos talheres.
Que não me dizem nada!
E assim vivemos. Tão juntos, porém tão separados.
Como lobos alfas de suas respectivas alcatéias
De sonhos e angustias,
De medos e de faltas...
Falta de algo tão grande e tão indefinido, que uns falariam de fé.
Mas eu realmente não acredito nisso.
E assim vamos fazendo uivos poéticos
Para tentar conquistar aquela grande lua.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Um Prelúdio, Para A Fuga Do Nada, Que Me Lembra Você!
O carro passava.
A rua fedia (muito),
Mas isso não tirava
Nem destituía
A minha embriaguez cíclica.
Que ao longo dos anos
Só aumentava.
E eu, parado,
Do lado do poste,
Vendo o movimento belo das coisas.
Observando.
Como elas andam, agem,
Amam, vivem,
Tão rapidamente!
Coisas que eu não entendo.
Mas que eu crio fórmulas
Teses
Com as faculdades que me restam.
Em-bre-a-ga-das!
Já sou mestre no álcool!
E doutor em ressaca!
E isso me lembra que eu tenho que voltar a beber.
Isso,
Se eu quiser,
Continuar,
Não entendendo,
A nossa,
Tão,
Delirante realidade!
Isso se eu não quiser
Parar de escutar o lindo tango da minha existência
Que toca, abaixo, desse luar sereno.
Me lembrando do tempo que eu deitava
A minha cabeça sobre o seu colo,
Naquela grama,
Naquela grama verde!
Nós dois e umas garrafas,
Olhado pro céu e vendo suas cores.
Nós dois e umas garrafas,
Vendo as nuances dos nossos olhos.
Nós dois e umas garrafas,
Nos amando como dois cachorros em um poste.
Nós dois e uma garrafa,
Reclamando sobre a falta:
Do nosso amor, de reciprocidade, de romantismo,
De vida!
A rua fedia (muito),
Mas isso não tirava
Nem destituía
A minha embriaguez cíclica.
Que ao longo dos anos
Só aumentava.
E eu, parado,
Do lado do poste,
Vendo o movimento belo das coisas.
Observando.
Como elas andam, agem,
Amam, vivem,
Tão rapidamente!
Coisas que eu não entendo.
Mas que eu crio fórmulas
Teses
Com as faculdades que me restam.
Em-bre-a-ga-das!
Já sou mestre no álcool!
E doutor em ressaca!
E isso me lembra que eu tenho que voltar a beber.
Isso,
Se eu quiser,
Continuar,
Não entendendo,
A nossa,
Tão,
Delirante realidade!
Isso se eu não quiser
Parar de escutar o lindo tango da minha existência
Que toca, abaixo, desse luar sereno.
Me lembrando do tempo que eu deitava
A minha cabeça sobre o seu colo,
Naquela grama,
Naquela grama verde!
Nós dois e umas garrafas,
Olhado pro céu e vendo suas cores.
Nós dois e umas garrafas,
Vendo as nuances dos nossos olhos.
Nós dois e umas garrafas,
Nos amando como dois cachorros em um poste.
Nós dois e uma garrafa,
Reclamando sobre a falta:
Do nosso amor, de reciprocidade, de romantismo,
De vida!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Chineses No Metrô
Volto pra casa
Na terça
No metrô das duas.
Volto depois de um dia de amor,
Bebidas e selvageria.
Volto, cansado e feliz.
Volto para o meu porto!
Que me espera quentinho
E confortável.
Com um belo bife no prato.
Volto no metrô das duas,
Com chineses do meu lado.
Pego na sacola uma cerveja
E abro.
Bebo e penso no quê eles estão falando.
Para que estão gritando?
Pessoas normais voltam pra casa,
Ou vão para o trabalho...
Nesse dia dos mortos.
Eu,
Só estou esperando o fim.
Da linha.
O fim da cerveja.
E o início da rotina.
Na terça
No metrô das duas.
Volto depois de um dia de amor,
Bebidas e selvageria.
Volto, cansado e feliz.
Volto para o meu porto!
Que me espera quentinho
E confortável.
Com um belo bife no prato.
Volto no metrô das duas,
Com chineses do meu lado.
Pego na sacola uma cerveja
E abro.
Bebo e penso no quê eles estão falando.
Para que estão gritando?
Pessoas normais voltam pra casa,
Ou vão para o trabalho...
Nesse dia dos mortos.
Eu,
Só estou esperando o fim.
Da linha.
O fim da cerveja.
E o início da rotina.
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