Ele tinha acabado de chegar a casa após uma exaustiva viagem, colocou a mala na sala, a mochila sobre o sofá, bebeu uma cerveja, tomou banho e resolveu dormir.
Sonhou que estava no meio de um deserto sendo perseguido por uma manada de elefantes rosa. Ele corria, mas os elefantes o perseguiam sobre as amarelas dunas daquele fim de mundo de nuvens púrpuras e de sol vermelho. De repente, ele não conseguia mais se locomover, ele não percebeu que estava em cima de uma areia movediça. O certo, como todo filme manda, é não se mexer, agarrar alguma coisa, sei lá, mas ele não parava de se mexer. Ele estava em pânico, desesperado para sair dali, mas a cada movimento que dava mais ele era sugado pela quente areia amarela daquele deserto e mais próximos os elefantes estavam. Logo ele se viu apenas com a cabeça para fora da areia e com muitos elefantes ao redor dele, olhando pra ele, com um olhar sarcástico, sentindo um prazer quase que masoquista, por vê-lo sumir lentamente pela terra.
Tudo estava escuro, ele levantou. Estava no meio de um banheiro sujo, com uma música alta tocando. Ele saiu do banheiro e se viu num mar de mulheres dançando ao som hipnótico que saia das caixas, elas pareciam estar em um transe. E luzes de todas as cores piscavam e cheiros de todos os cantos saiam. E ele foi andando por aquele mar de mulheres maravilhosas até encontrar uma criança, que chegou até ele e disse:
— Você não pode ficar aqui. — E ele nem teve tempo de responder e logo levou um belo soco na cara e caiu.
Caiu de cara com o seu travesseiro. Mas aquele não era o seu travesseiro, nem sua cama, nem ele! Ele começou a sentir um enjôo, e uma vontade de vomitar. E logo levantou e saiu correndo, instintivamente, achou um banheiro e vomitou sua alma no vaso. Ao levantar começou a sentir um dor na sua parte inferior, bem na sua bunda. E ao olhar-se ao espelho ele se deparou com o fato de ser uma mulher, uma mulher bem gostosa por sinal ( ele pensou). Ele olhou pro seus peitos, seus fartos seios, e começou a se tocar e a gostar disso. Sentou no vaso e começou a brincar com as rodelas rosadas de seus mamilos. Com a outra mão começou a percorrer outras partes do seu corpo até chegar a sua buceta. Ele ficou terrivelmente encantando mexendo nela, tocando e sentindo, acariciando e tendo essa resposta sensível. Ele ficou lá se contorcendo no vaso até que teve a ideia de voltar para a cama, correu e se jogou na grande cama de casal e ficou lá pelada em cima da cama, se tocando, se acariciando, se mimando, se masturbando como nunca antes ele havia feito! Quando olho para o teto se viu no espelho ela em todo o seu esplendor, seus olhos verdes, seus cabelos negros e longos, seus seios fartos, de pernas abertas mostrando sua delicada bucetinha rosada, seus pequenos lábios fechados, sendo invadidos pelas suas ferozes unhas vermelhas! E ela gozou, gozou como nunca antes (ele nunca tinha se sentindo tão bem), ficou curtindo aquela “onda” e dormiu. Ela acordou com algo entrando e saindo da sua bunda, arrastando pelas bochechas, aquela coisa doía, mas ao mesmo tempo ela gostava. E assim ela ficou, fingindo que estava dormindo.
Ele acordou com um susto, certificou se algo tinha ocorrido com ele, nada. Foi só um sonho, um sonho muito estranho. Ele se levantou, foi ao banheiro. Eram seis horas da tarde, não havia nada para fazer, ele foi a cozinha abriu outra cerveja e ficou debruçado na janela ouvindo o reggae que saia da janela do seu vizinho de cima. O grave era tão forte que ele sentia no peito, e isso o acalmava, e ele bebia a cerveja dele pesando no que fazer, no final do dia, no dia seguinte, vendo a rápida vida passar bem diante da sua janela, como uma revoada de pombos famintos, em busca de abrigo para mais um dia.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Contra o Espelho
Corpo, partido.
Espelho, tinindo,
Me mostra o abrigo
Daquele vazio.
D’um reflexo infindo,
Mostra-me espremido
Sozinho e pequeno.
Ligado num laço
Tão sujo quanto um nó
De cadarço.
Prendendo-me num delírio,
Tão delirante, tão indefinido,
Que me faz gritar ao relento.
O meu passado.
Afiado, gritado, chorado, explorado:
“Feio, porco, tosco, banal,
Idiota, estapafúrdio, ogro,
Mentecapto, imprestável,
Vagabundo; isso era o que
Me diziam. E assim eu
Fui crescendo e aceitando.
E comecei a beber e fumar,
Criei maus hábitos para,
Esquecer do que diziam.
No final, virei poeta...”
E assim vou me perdendo
Com discursos ao vento
Que não se somam, que não criam, que não servem para nada!
Lapsos de uma vida sem glórias.
Com pequenas esperanças como, talvez, ao voltar do trabalho:
Um breve trago (de uísque) e um cigarro.
Para tirar o amasso da cara, de dias mal vividos.
Sei que não sou o único a reclamar disso,
Muitos antes de mim já reclamaram.
E até fizeram sucesso, com seus blues,
Seus sambas, seus tangos, seus fados, seus punks!
Eles também reclamaram, ou deviam reclamar,
Dos frascos, dos troços, dos Marios, dos equinócios,
Das mulheres, das sequelas, das lanternas, dos talheres.
Que não me dizem nada!
E assim vivemos. Tão juntos, porém tão separados.
Como lobos alfas de suas respectivas alcatéias
De sonhos e angustias,
De medos e de faltas...
Falta de algo tão grande e tão indefinido, que uns falariam de fé.
Mas eu realmente não acredito nisso.
E assim vamos fazendo uivos poéticos
Para tentar conquistar aquela grande lua.
Espelho, tinindo,
Me mostra o abrigo
Daquele vazio.
D’um reflexo infindo,
Mostra-me espremido
Sozinho e pequeno.
Ligado num laço
Tão sujo quanto um nó
De cadarço.
Prendendo-me num delírio,
Tão delirante, tão indefinido,
Que me faz gritar ao relento.
O meu passado.
Afiado, gritado, chorado, explorado:
“Feio, porco, tosco, banal,
Idiota, estapafúrdio, ogro,
Mentecapto, imprestável,
Vagabundo; isso era o que
Me diziam. E assim eu
Fui crescendo e aceitando.
E comecei a beber e fumar,
Criei maus hábitos para,
Esquecer do que diziam.
No final, virei poeta...”
E assim vou me perdendo
Com discursos ao vento
Que não se somam, que não criam, que não servem para nada!
Lapsos de uma vida sem glórias.
Com pequenas esperanças como, talvez, ao voltar do trabalho:
Um breve trago (de uísque) e um cigarro.
Para tirar o amasso da cara, de dias mal vividos.
Sei que não sou o único a reclamar disso,
Muitos antes de mim já reclamaram.
E até fizeram sucesso, com seus blues,
Seus sambas, seus tangos, seus fados, seus punks!
Eles também reclamaram, ou deviam reclamar,
Dos frascos, dos troços, dos Marios, dos equinócios,
Das mulheres, das sequelas, das lanternas, dos talheres.
Que não me dizem nada!
E assim vivemos. Tão juntos, porém tão separados.
Como lobos alfas de suas respectivas alcatéias
De sonhos e angustias,
De medos e de faltas...
Falta de algo tão grande e tão indefinido, que uns falariam de fé.
Mas eu realmente não acredito nisso.
E assim vamos fazendo uivos poéticos
Para tentar conquistar aquela grande lua.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Um Prelúdio, Para A Fuga Do Nada, Que Me Lembra Você!
O carro passava.
A rua fedia (muito),
Mas isso não tirava
Nem destituía
A minha embriaguez cíclica.
Que ao longo dos anos
Só aumentava.
E eu, parado,
Do lado do poste,
Vendo o movimento belo das coisas.
Observando.
Como elas andam, agem,
Amam, vivem,
Tão rapidamente!
Coisas que eu não entendo.
Mas que eu crio fórmulas
Teses
Com as faculdades que me restam.
Em-bre-a-ga-das!
Já sou mestre no álcool!
E doutor em ressaca!
E isso me lembra que eu tenho que voltar a beber.
Isso,
Se eu quiser,
Continuar,
Não entendendo,
A nossa,
Tão,
Delirante realidade!
Isso se eu não quiser
Parar de escutar o lindo tango da minha existência
Que toca, abaixo, desse luar sereno.
Me lembrando do tempo que eu deitava
A minha cabeça sobre o seu colo,
Naquela grama,
Naquela grama verde!
Nós dois e umas garrafas,
Olhado pro céu e vendo suas cores.
Nós dois e umas garrafas,
Vendo as nuances dos nossos olhos.
Nós dois e umas garrafas,
Nos amando como dois cachorros em um poste.
Nós dois e uma garrafa,
Reclamando sobre a falta:
Do nosso amor, de reciprocidade, de romantismo,
De vida!
A rua fedia (muito),
Mas isso não tirava
Nem destituía
A minha embriaguez cíclica.
Que ao longo dos anos
Só aumentava.
E eu, parado,
Do lado do poste,
Vendo o movimento belo das coisas.
Observando.
Como elas andam, agem,
Amam, vivem,
Tão rapidamente!
Coisas que eu não entendo.
Mas que eu crio fórmulas
Teses
Com as faculdades que me restam.
Em-bre-a-ga-das!
Já sou mestre no álcool!
E doutor em ressaca!
E isso me lembra que eu tenho que voltar a beber.
Isso,
Se eu quiser,
Continuar,
Não entendendo,
A nossa,
Tão,
Delirante realidade!
Isso se eu não quiser
Parar de escutar o lindo tango da minha existência
Que toca, abaixo, desse luar sereno.
Me lembrando do tempo que eu deitava
A minha cabeça sobre o seu colo,
Naquela grama,
Naquela grama verde!
Nós dois e umas garrafas,
Olhado pro céu e vendo suas cores.
Nós dois e umas garrafas,
Vendo as nuances dos nossos olhos.
Nós dois e umas garrafas,
Nos amando como dois cachorros em um poste.
Nós dois e uma garrafa,
Reclamando sobre a falta:
Do nosso amor, de reciprocidade, de romantismo,
De vida!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Chineses No Metrô
Volto pra casa
Na terça
No metrô das duas.
Volto depois de um dia de amor,
Bebidas e selvageria.
Volto, cansado e feliz.
Volto para o meu porto!
Que me espera quentinho
E confortável.
Com um belo bife no prato.
Volto no metrô das duas,
Com chineses do meu lado.
Pego na sacola uma cerveja
E abro.
Bebo e penso no quê eles estão falando.
Para que estão gritando?
Pessoas normais voltam pra casa,
Ou vão para o trabalho...
Nesse dia dos mortos.
Eu,
Só estou esperando o fim.
Da linha.
O fim da cerveja.
E o início da rotina.
Na terça
No metrô das duas.
Volto depois de um dia de amor,
Bebidas e selvageria.
Volto, cansado e feliz.
Volto para o meu porto!
Que me espera quentinho
E confortável.
Com um belo bife no prato.
Volto no metrô das duas,
Com chineses do meu lado.
Pego na sacola uma cerveja
E abro.
Bebo e penso no quê eles estão falando.
Para que estão gritando?
Pessoas normais voltam pra casa,
Ou vão para o trabalho...
Nesse dia dos mortos.
Eu,
Só estou esperando o fim.
Da linha.
O fim da cerveja.
E o início da rotina.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Falta de Palmas
Estava quebrando um galho num evento lá no Centro, lá na querida casa onde vou aprender o meu oficio de investigador, era uma festa de recepção aos calouros e mais uma das festas de integração entre os cursos. Bem, ia rolar um som lá, havia uma possibilidade deu tocar, haveria palco livre depois das bandas. Dei um chega na passagem de som, descobri que havia uma falta de bateristas, parece que o dono da bateria e o batera da banda tinha ido embora sabe-se lá o por quê, o que importava é que eles precisavam de um batera e eu estava ali. E toquei, devo ter tocado bem umas duas horas, não sei, toquei bastante, foi maneiro, foi divertido, me davam cerveja, as pessoas curtiam, se balançavam, conversavam, se pegavam. As pessoas estavam realmente tendo momentos legais por lá. Só que eu notei uma coisa. Uma coisa que eu já vinha achando estranho.
Era um sábado, era aniversário de um motoclube lá por Vila Isabel. Tinha churrasco 0800 (para os de colete e pros caras de pau) e cerveja. Fora isso tinha o som de uma banda, banda de uns coroas gente fina que eu virei a tocar. Fui lá pra prestigiá-los e tal. Isso tudo era lá na sede do motoclube, bem legal, todo preto, cheio de caveiras, fotos de moto, pessoas barbudas, loiras, sinuca, chamas, tabaco, cerveja, a única coisa de pitoresca era a escola de balé na frente da sede... Mas tudo bem, viva a diversidade! E se eles não se importam, quem sou eu para falar algo? Bem, a banda começou a tocar, o repertório deles foi legal, as pessoas realmente curtiram, dava pra ver em suas faces rosadas e empolgadas totalmente embriagadas. Mas havia algo estranho lá, era estranho, de vez enquanto, entre uma música e outra, pra ser mais preciso, acontecia um silêncio. Um silêncio mortal, que remetia morte e desanimo, falta de graça e vergonha. Um silêncio que tomava conta daquela sede do motoclube, mas aquelas pessoas de preto pareciam não se importar, e logo após alguns segundos dessa angustia desconcertante a música recomeçava e ninguém parecia se importar, só tinham que levantar um pouco a voz e nada mais. Ao término do show falei com o baixista:
— Cara, por que eles não batem palmas? — Ele riu e simplesmente disse que não entendia aquele povo.
Pois bem, tive essa revelação lá, naquele dia no IFCS, quando percebi que as pessoas não se importavam com a música. Tanto faz como tanto fosse. Só batia palmas quem realmente estava perto do “palco”, assim como no motoclube, e só realmente bateram palmas algumas vezes, porque na maioria das vezes eles nem ligavam. Não entendo mais essas coisas. Antes quando alguém tocava alguma coisa em algum lugar às pessoas paravam de conversar, batiam palmas e voltavam a se falar. Era como reticências na conversa. Isso me leva a pensar por que isso esta acontecendo?
Levanto duas ideias. Uma é que hoje em dia qualquer um pode tocar qualquer coisa, aumentou o número de músicos (profissionais, amadores, de fins de semana, de carnaval, de acampamentos, recreativos), por isso as pessoas perderam o valor a música tocada ao vivo, parece o rádio, só que mais alto e às vezes com versões piores. Outro ponto é o do músico ao vivo no recinto, a questão dos cantores de churrascaria, e dos músicos de MPB de barzinhos, que estão ali apenas para você pagar mais caro à conta do bar, e para servir de música ambiente. E talvez seja nesse ponto que o problema começou a existir (pois um maior número de músicos de bar implica num aumento do número de músicos, na acessibilidade e facilidade de se aprender música), porque no barzinho as pessoas não vão pra escutar aquele músico, pois se fossem o cara estaria numa casa de show, não num bar. Logo a música no bar é música ambiente, ou seja, na cabeça das pessoas, aquilo que está tocando pode facilmente ser uma rádio, ou a seleção mp3 do bar. Ou seja, a música é ambiente, a conversa está em primeiro plano. O músico só trás a trilha sonora singular para as diversas cenas que acontecem no local onde ele está se apresentando que vai da comédia ao drama passando por memoráveis tragédias de amor. E por isso que as pessoas não batem palmas, porque não há nenhuma norma de etiqueta que mande aplaudir o sistema de som.
Era um sábado, era aniversário de um motoclube lá por Vila Isabel. Tinha churrasco 0800 (para os de colete e pros caras de pau) e cerveja. Fora isso tinha o som de uma banda, banda de uns coroas gente fina que eu virei a tocar. Fui lá pra prestigiá-los e tal. Isso tudo era lá na sede do motoclube, bem legal, todo preto, cheio de caveiras, fotos de moto, pessoas barbudas, loiras, sinuca, chamas, tabaco, cerveja, a única coisa de pitoresca era a escola de balé na frente da sede... Mas tudo bem, viva a diversidade! E se eles não se importam, quem sou eu para falar algo? Bem, a banda começou a tocar, o repertório deles foi legal, as pessoas realmente curtiram, dava pra ver em suas faces rosadas e empolgadas totalmente embriagadas. Mas havia algo estranho lá, era estranho, de vez enquanto, entre uma música e outra, pra ser mais preciso, acontecia um silêncio. Um silêncio mortal, que remetia morte e desanimo, falta de graça e vergonha. Um silêncio que tomava conta daquela sede do motoclube, mas aquelas pessoas de preto pareciam não se importar, e logo após alguns segundos dessa angustia desconcertante a música recomeçava e ninguém parecia se importar, só tinham que levantar um pouco a voz e nada mais. Ao término do show falei com o baixista:
— Cara, por que eles não batem palmas? — Ele riu e simplesmente disse que não entendia aquele povo.
Pois bem, tive essa revelação lá, naquele dia no IFCS, quando percebi que as pessoas não se importavam com a música. Tanto faz como tanto fosse. Só batia palmas quem realmente estava perto do “palco”, assim como no motoclube, e só realmente bateram palmas algumas vezes, porque na maioria das vezes eles nem ligavam. Não entendo mais essas coisas. Antes quando alguém tocava alguma coisa em algum lugar às pessoas paravam de conversar, batiam palmas e voltavam a se falar. Era como reticências na conversa. Isso me leva a pensar por que isso esta acontecendo?
Levanto duas ideias. Uma é que hoje em dia qualquer um pode tocar qualquer coisa, aumentou o número de músicos (profissionais, amadores, de fins de semana, de carnaval, de acampamentos, recreativos), por isso as pessoas perderam o valor a música tocada ao vivo, parece o rádio, só que mais alto e às vezes com versões piores. Outro ponto é o do músico ao vivo no recinto, a questão dos cantores de churrascaria, e dos músicos de MPB de barzinhos, que estão ali apenas para você pagar mais caro à conta do bar, e para servir de música ambiente. E talvez seja nesse ponto que o problema começou a existir (pois um maior número de músicos de bar implica num aumento do número de músicos, na acessibilidade e facilidade de se aprender música), porque no barzinho as pessoas não vão pra escutar aquele músico, pois se fossem o cara estaria numa casa de show, não num bar. Logo a música no bar é música ambiente, ou seja, na cabeça das pessoas, aquilo que está tocando pode facilmente ser uma rádio, ou a seleção mp3 do bar. Ou seja, a música é ambiente, a conversa está em primeiro plano. O músico só trás a trilha sonora singular para as diversas cenas que acontecem no local onde ele está se apresentando que vai da comédia ao drama passando por memoráveis tragédias de amor. E por isso que as pessoas não batem palmas, porque não há nenhuma norma de etiqueta que mande aplaudir o sistema de som.
And They Play the Tarantella
Barulho de mar. Ondas quebrando perto de mim. Calor, muito calor. Caralho, onde eu estou? Abro os olhos vejo o grande saudoso sol abrasando a minha ressaca e a do mar. Dou me conta que estou deitado na areia e que o mar chega até minhas canelas. Devo estar parecendo um filé à milanesa. Permaneço deitado pensando como eu cheguei aqui, na praia, aliás, que praia é está? Passei a mão na cabeça, o cabelo cheio de areia, todo duro, a barba por fazer, os óculos estão como sempre intactos. Tomo coragem e levanto e quase caio, meu terno está todo cheio de areia, minha carteira está toda molhada, meu celular continua vivo, os cigarros estão encharcados, pelo menos o isqueiro ainda está funcionando, meu caderninho de anotações está se desfazendo, cheio de borrões e com páginas grudadas a ponto de rasgarem. Não tinha nada para fumar, nada para beber, nada para ler, e uma ressaca sem sentido, uma alma encharcada e estava cheio de areia e estava na praia, meu deus o que eu fiz ontem? Muitas perguntas e muito prejuízo.
Bem, parecia domingo, não tinha ninguém na praia. Comecei a ganhar a areia. Reparei que havia muito cigarro, muita ponta, muita garrafa de cerveja, vodka, vinho, e sujeira pela areia. Parecia ter havido uma festa, e uma boa festa. Percebi que tinha umas tochas também, talvez tenha rolado um luau muito louco. Parece que eu cai, ou tropecei, não sei estava ainda meio tonto. Percebi que eu cai por causa se uma bigorna. Sim, uma bigorna no meio de uma praia. Fiquei me perguntando que tipos de loucos eram esses que faziam um luau com uma bigorna, não conseguia vir nada a minha mente. Era muito sem sentido para mim. Levantei e resolvi olhar mais pro chão, tomando mais cuidado onde iria pisar. E vi maços de cigarro, ossos de galinha, latinhas de cerveja, garrafas de destilados, alguns pedaços de panos, papel rasgado, sacolas de lixo cheias, pontas de cigarro, algumas saias de havaiana, calcinhas, cuecas, camisinhas, flores, colares de flores, palhetas, copos amassado, uma serra, um martelo, cocos, baquetas quebradas, uns baldes, e um bongô. Peguei o bongô e fui embora. Percebi que eu estava na Praia do Diabo. Peguei ali pelo Arpoador. Parei num quiosque, comprei um maço. Acendi e fui andando até a General Osório pegar o metrô. Quando fui pegar o dinheiro pra pagar o metrô reparei que tinha um flyer dentro da carteira. O flyer mostrava tipo o que parecia ser uma estátua de um anão dourado barbudo fazendo a saudação nazista, ele estava em pé em uma lótus e tinha vários outros seres bizarro ao lado dele, o mais estranho era um saci abraçado ao anão. Realmente tomei um susto ao ver aquela porra, fiquei parado sequelando analisando aquele flyer e quase criando um motim na fila do metrô, eu tinha aberto a carteira pra pegar o dinheiro e eu era o primeiro da fila e a fila começava a ficar grande e furiosa. Depois disso fiquei a volta pra casa inteira olhando curiosamente para aquele anãozinho e o saci, que coisa mais bizarra. Depois percebi que tinha algumas coisas em hebraico. A parte de trás do flyer estava toda borrada, mas tinha como endereço a Praia do Diabo.
Era realmente domingo, e só fui perceber isso à tarde. Foi automático assim que cheguei a casa, apaguei no sofá. Merda. Acabei com o sofá, agora ele ta todo fedendo a bebida, cigarro e cheio de areia. Resolvi tomar um banho e tentar relaxar um pouco, eu parecia mais firme, mas a cabeça ainda martelava. Quando eu tirei a roupa e me deparei com o espelho vi que meu corpo estava todo rabiscado, parece que me pintaram com tinta guaxe, sei lá, que coisa mais bizarra. Tinha um sol no meio da minha barriga, muito bem desenhado, e no resto do corpo, várias sílabas e mãozadas sem sentido. Pouco me importei e tomei banho, custou um pouco tirar aquela guaxe, mais saiu. Agora eu estava limpo, fui à cozinha e fiquei bebendo água.
Tentei me lembrar do que fiz ontem, não consegui. Fiquei encarando o flyer e nada. Tentei achar algo na internet e mais nada. Tentei ver se aquele anão era sobre alguma seita maluca com sacrifícios e santo daime, e não achei nada, porra nenhuma. Pensei seriamente dum complô maligno de neo-nazistas doidões de aiuasca, ou com os cus cheios de outras drogas pesadas, chapadões num luau falando sobre arte contemporânea, rasgando as próprias roupas, se libertando dos padrões da moda, e pintando os corpos celebrando as antigas tradições celtas e batucando sons loucos e ancestrais de noites tão escuras que não podem mais serem vistas. Noites ancestrais de celebrações da carne e do contato do homem primitivo com o complexo ser astral, a junção dos corpos, a união num batuque hipnotizante e delirante de tempos em que o homem era um ser complexo e rico de cultura e significados sobre as coisas do mundo. Um mundo onde deuses andavam pelos homens e não havia essa distinção, todo eram iguais e felizes batucando e celebrando a vida! Eu forcei muito a minha cabeça, mas não pude me lembrar de nada, nem achei nada na internet, a única coisa que eu achei foi o nome do artista plástico alemão que fez o anãozinho dourado... Bem, dane-se, uma amnésia nunca faz mal a ninguém.
No dia seguinte, chegando à redação, o meu chefe perguntou:
— Então, como foi à festa do Anão Dourado?
— Festa do Anão Dourado?
— É, a festa que eu mandei você cobrir que ia acontecer no sábado na casa do... — Puta que paril! NA CADA DO RENATO GOLDENBERG! Tudo na velocidade e com a intensidade de um soco no rim. O ponto de encontro era na casa dele no Arpoador, tinha uma porrada de gente lá, muita gente mesmo, mas tava tudo escuro. Ai ele surgiu na sala cuspindo fogo e tacando confete. Gritando que a festa era tudo uma celebração demoníaca e que deveria ser feito o “ritual” na praia do Diabo! Ele se deparou na janela, com quase metade do corpo para fora, apontando para as tochas que estavam na praia, e gritando que a festa era lá, e ele tacava confete e gritava e todos riam, e ele disse que quem chegasse por último seria a mulher do padre! Nesse momento alguém riu loucamente, com uma risada profunda e de satisfação, será que seria o padre? E numa cortina de fumaça o Renato desapareceu. Todos sabiam que ele era um louco-poeta-ilusionista-pseudo-judeu-anarquista. Então as portas abriram e todos foram correndo para lá. No calçadão reparei nas figuras estranhas que estavam lá. E realmente existia um padre, ele era enorme, e eu não queria ser a mulher dele, e aquele homem olhava para todos com um olhar denso e profundo, parecia estar tendo uma orgia com todos só em olhar as pessoas. Quando todos chegamos lá foram nos dadas cerveja e o Renato deu como iniciada a festa! Então, bongôs começaram a tocar, logo em seguida, atabaques, djembês, congas, alfaias, caixas começaram a fazer o som. O som era realmente hipnotizante. Tinha uma mulher dançando dança do ventre e tocando castanholas, um casal dançando tango, pessoas fazendo malabarismo, pessoas cuspindo fogo, pessoas gritando coisas, pessoas construindo poesia desses gritos, pessoas se pegando, pessoas nuas, pessoas cheias de areia, pessoas bebendo, fumando, conversando, fodendo! Estava tudo desordenado, até que o cara do acordeão chegou. Ele era muito cigano, e pos ordem na festa. E começou a tocar uma tarantela, e todos os instrumentos o seguiram. Foi lindo eles tocavam uma tarantela e todo os cachorros começaram a uivar, nenhuma criança deveria estar acordada naquele momento, e os cubanos massacravam em suas congas, pensava eu donde via aquele vigor, se fosse eu já estaria morto! Era uma loucura todos aqueles instrumentos coordenados e um poeta de voz grave recitando versos dos mais distintos e inquietantes! O fogo, o confete, a comida, o sexo, a música, era a exaltação máxima da carne para um deus pagão. O mais estranho foi o casal que dançava tango em todas as músicas, não paravam, era louco, apaixonante, intenso, violento, sublime humano! Eles dançavam tango até sangrar, naquela areia fofa, celebrando a vida, a carne, o sentimento melancólico, celebrando a nossa vida delirante, a nossa realidade alucinada.
— Então, cê lembrou?
— Não, acho que eu estava me preparando para essa festa, quando eu fiquei muito bêbado em casa vendo algum filme do Woody Allen. — Bem, o público não pode saber de todas as loucuras, fora que eles não iam gostar de saber de uma orgia louca de malucos.
Bem, parecia domingo, não tinha ninguém na praia. Comecei a ganhar a areia. Reparei que havia muito cigarro, muita ponta, muita garrafa de cerveja, vodka, vinho, e sujeira pela areia. Parecia ter havido uma festa, e uma boa festa. Percebi que tinha umas tochas também, talvez tenha rolado um luau muito louco. Parece que eu cai, ou tropecei, não sei estava ainda meio tonto. Percebi que eu cai por causa se uma bigorna. Sim, uma bigorna no meio de uma praia. Fiquei me perguntando que tipos de loucos eram esses que faziam um luau com uma bigorna, não conseguia vir nada a minha mente. Era muito sem sentido para mim. Levantei e resolvi olhar mais pro chão, tomando mais cuidado onde iria pisar. E vi maços de cigarro, ossos de galinha, latinhas de cerveja, garrafas de destilados, alguns pedaços de panos, papel rasgado, sacolas de lixo cheias, pontas de cigarro, algumas saias de havaiana, calcinhas, cuecas, camisinhas, flores, colares de flores, palhetas, copos amassado, uma serra, um martelo, cocos, baquetas quebradas, uns baldes, e um bongô. Peguei o bongô e fui embora. Percebi que eu estava na Praia do Diabo. Peguei ali pelo Arpoador. Parei num quiosque, comprei um maço. Acendi e fui andando até a General Osório pegar o metrô. Quando fui pegar o dinheiro pra pagar o metrô reparei que tinha um flyer dentro da carteira. O flyer mostrava tipo o que parecia ser uma estátua de um anão dourado barbudo fazendo a saudação nazista, ele estava em pé em uma lótus e tinha vários outros seres bizarro ao lado dele, o mais estranho era um saci abraçado ao anão. Realmente tomei um susto ao ver aquela porra, fiquei parado sequelando analisando aquele flyer e quase criando um motim na fila do metrô, eu tinha aberto a carteira pra pegar o dinheiro e eu era o primeiro da fila e a fila começava a ficar grande e furiosa. Depois disso fiquei a volta pra casa inteira olhando curiosamente para aquele anãozinho e o saci, que coisa mais bizarra. Depois percebi que tinha algumas coisas em hebraico. A parte de trás do flyer estava toda borrada, mas tinha como endereço a Praia do Diabo.
Era realmente domingo, e só fui perceber isso à tarde. Foi automático assim que cheguei a casa, apaguei no sofá. Merda. Acabei com o sofá, agora ele ta todo fedendo a bebida, cigarro e cheio de areia. Resolvi tomar um banho e tentar relaxar um pouco, eu parecia mais firme, mas a cabeça ainda martelava. Quando eu tirei a roupa e me deparei com o espelho vi que meu corpo estava todo rabiscado, parece que me pintaram com tinta guaxe, sei lá, que coisa mais bizarra. Tinha um sol no meio da minha barriga, muito bem desenhado, e no resto do corpo, várias sílabas e mãozadas sem sentido. Pouco me importei e tomei banho, custou um pouco tirar aquela guaxe, mais saiu. Agora eu estava limpo, fui à cozinha e fiquei bebendo água.
Tentei me lembrar do que fiz ontem, não consegui. Fiquei encarando o flyer e nada. Tentei achar algo na internet e mais nada. Tentei ver se aquele anão era sobre alguma seita maluca com sacrifícios e santo daime, e não achei nada, porra nenhuma. Pensei seriamente dum complô maligno de neo-nazistas doidões de aiuasca, ou com os cus cheios de outras drogas pesadas, chapadões num luau falando sobre arte contemporânea, rasgando as próprias roupas, se libertando dos padrões da moda, e pintando os corpos celebrando as antigas tradições celtas e batucando sons loucos e ancestrais de noites tão escuras que não podem mais serem vistas. Noites ancestrais de celebrações da carne e do contato do homem primitivo com o complexo ser astral, a junção dos corpos, a união num batuque hipnotizante e delirante de tempos em que o homem era um ser complexo e rico de cultura e significados sobre as coisas do mundo. Um mundo onde deuses andavam pelos homens e não havia essa distinção, todo eram iguais e felizes batucando e celebrando a vida! Eu forcei muito a minha cabeça, mas não pude me lembrar de nada, nem achei nada na internet, a única coisa que eu achei foi o nome do artista plástico alemão que fez o anãozinho dourado... Bem, dane-se, uma amnésia nunca faz mal a ninguém.
No dia seguinte, chegando à redação, o meu chefe perguntou:
— Então, como foi à festa do Anão Dourado?
— Festa do Anão Dourado?
— É, a festa que eu mandei você cobrir que ia acontecer no sábado na casa do... — Puta que paril! NA CADA DO RENATO GOLDENBERG! Tudo na velocidade e com a intensidade de um soco no rim. O ponto de encontro era na casa dele no Arpoador, tinha uma porrada de gente lá, muita gente mesmo, mas tava tudo escuro. Ai ele surgiu na sala cuspindo fogo e tacando confete. Gritando que a festa era tudo uma celebração demoníaca e que deveria ser feito o “ritual” na praia do Diabo! Ele se deparou na janela, com quase metade do corpo para fora, apontando para as tochas que estavam na praia, e gritando que a festa era lá, e ele tacava confete e gritava e todos riam, e ele disse que quem chegasse por último seria a mulher do padre! Nesse momento alguém riu loucamente, com uma risada profunda e de satisfação, será que seria o padre? E numa cortina de fumaça o Renato desapareceu. Todos sabiam que ele era um louco-poeta-ilusionista-pseudo-judeu-anarquista. Então as portas abriram e todos foram correndo para lá. No calçadão reparei nas figuras estranhas que estavam lá. E realmente existia um padre, ele era enorme, e eu não queria ser a mulher dele, e aquele homem olhava para todos com um olhar denso e profundo, parecia estar tendo uma orgia com todos só em olhar as pessoas. Quando todos chegamos lá foram nos dadas cerveja e o Renato deu como iniciada a festa! Então, bongôs começaram a tocar, logo em seguida, atabaques, djembês, congas, alfaias, caixas começaram a fazer o som. O som era realmente hipnotizante. Tinha uma mulher dançando dança do ventre e tocando castanholas, um casal dançando tango, pessoas fazendo malabarismo, pessoas cuspindo fogo, pessoas gritando coisas, pessoas construindo poesia desses gritos, pessoas se pegando, pessoas nuas, pessoas cheias de areia, pessoas bebendo, fumando, conversando, fodendo! Estava tudo desordenado, até que o cara do acordeão chegou. Ele era muito cigano, e pos ordem na festa. E começou a tocar uma tarantela, e todos os instrumentos o seguiram. Foi lindo eles tocavam uma tarantela e todo os cachorros começaram a uivar, nenhuma criança deveria estar acordada naquele momento, e os cubanos massacravam em suas congas, pensava eu donde via aquele vigor, se fosse eu já estaria morto! Era uma loucura todos aqueles instrumentos coordenados e um poeta de voz grave recitando versos dos mais distintos e inquietantes! O fogo, o confete, a comida, o sexo, a música, era a exaltação máxima da carne para um deus pagão. O mais estranho foi o casal que dançava tango em todas as músicas, não paravam, era louco, apaixonante, intenso, violento, sublime humano! Eles dançavam tango até sangrar, naquela areia fofa, celebrando a vida, a carne, o sentimento melancólico, celebrando a nossa vida delirante, a nossa realidade alucinada.
— Então, cê lembrou?
— Não, acho que eu estava me preparando para essa festa, quando eu fiquei muito bêbado em casa vendo algum filme do Woody Allen. — Bem, o público não pode saber de todas as loucuras, fora que eles não iam gostar de saber de uma orgia louca de malucos.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Músicos De Copa
Tem certas coisas que só aparecem no Brasil em época de Copa, como os pseudo-nacionalistas coloridos, chamativos e barulhentos, que saem do armário a cada quatro anos; mas além deles aparecem os músicos de Copa.
Acho que esse movimento pró-batucada deve acontecer por todo o mundo, porém, como o meu mundo apenas se limita ao Rio de Janeiro, não que ele seja o mais importante (e que todos devam se curvar diante do possível gigante do petróleo), mas é o único que eu conheço bem, pelo menos determinados locais da região metropolitana. Mas a coisa é incrível em todo lugar que você vai tem um infeliz de um batuqueiro.
Não reclamo de batuques, mas sim de batuques fora do ritmo, como os que acontecem nas Copas, com esses músicos de Copa, que esperam quatro anos para tirar o surdão do armário e para espancá-lo feito um animal acéfalo e disrítmico. Pensa bem, o cara tem, pelo menos, uma vez por ano pra treinar o surdão, desfilando embriagado pelos blocos da cidade; ou então toda semana, colando em alguma torcida organizada. Mas não! O cara é preguiçoso! E como todo bom brasileiro, que só veste a camisa do Brasil a cada quatro anos, só é músico nessa festa.
Pena que isso não acontece com esses pseudo-compositores que vemos a cada esquina, tocando de perna cruzada, chapéu legal, voz estranha, e músicas sobre por do sol, eu, você e a cosmologia universal que separa nossos beijos tão pertos e tão longes! Malditos intelectuais...
Acho que esse movimento pró-batucada deve acontecer por todo o mundo, porém, como o meu mundo apenas se limita ao Rio de Janeiro, não que ele seja o mais importante (e que todos devam se curvar diante do possível gigante do petróleo), mas é o único que eu conheço bem, pelo menos determinados locais da região metropolitana. Mas a coisa é incrível em todo lugar que você vai tem um infeliz de um batuqueiro.
Não reclamo de batuques, mas sim de batuques fora do ritmo, como os que acontecem nas Copas, com esses músicos de Copa, que esperam quatro anos para tirar o surdão do armário e para espancá-lo feito um animal acéfalo e disrítmico. Pensa bem, o cara tem, pelo menos, uma vez por ano pra treinar o surdão, desfilando embriagado pelos blocos da cidade; ou então toda semana, colando em alguma torcida organizada. Mas não! O cara é preguiçoso! E como todo bom brasileiro, que só veste a camisa do Brasil a cada quatro anos, só é músico nessa festa.
Pena que isso não acontece com esses pseudo-compositores que vemos a cada esquina, tocando de perna cruzada, chapéu legal, voz estranha, e músicas sobre por do sol, eu, você e a cosmologia universal que separa nossos beijos tão pertos e tão longes! Malditos intelectuais...
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