Tenho sofrido muito ultimamente. Acordo todo dia tranqüilo, no limite do possível, quando que subitamente sou atingido por um ataque sonoro o qual me deixa atucanado. É sempre na hora que estou eu tomando a minha bela xícara de café. Saibas tu que eu, in natura, não sou um cara muito feliz quando acorda, nunca fui e talvez nunca seja. Mas na medida do possível tento viver em harmonia até a próxima dose de cafeína. Só que isso não é possível, pois esse ciclo é sempre interrompido pelos gritos lamuriosos dos cantos dos passarinhos que são meus vizinhos, em especial do maldito Bem-Te-Vi!
Na verdade são vários desses bastardos que vem para me pentelhar. Acho que cantar perto da minha janela seja a boa, deve ser o pico deles sabes? Parabéns os passarinhos que cantam perto da minha janela, no prédio ao lado, são surfistas. Sensacional! Parece muito esdrúxulo, mas até que nem é tanto. Pense que os picos são os locais com as melhores ondas, logo o melhor local para surfar. Então vários surfistas vão aos picos esperar a sua onda na imensidão azul do mar que se encontra num perfeito paralelismo com o cósmico azul do céu. Então, partindo dessa premissa, o prédio que se situa vizinho ao qual eu moro deve ser o melhor local para se cantar, por isso que os passarinhos e os Bens-Ti-Vi esperam a sua vez para cantar, logo me infernizar.
É um porre, todo dia de manhã escutar essas pequenas formas de vida comemorando o seu viver. É bom por um lado, porque se eles ainda estão cantando quer dizer que eles ainda estão vivos, mas quando eles pararem de cantar vai significar que eles já não estão mais lá, ou seja, que a gente corre sérios riscos de vida. Seguindo analogamente, essa seria a mesma tática usada pelos mineiros, o passarinho morria pela falta de oxigênio — afinal nós vivemos em uma mina a céu aberto.
Mesmo sabendo de sua extrema necessidade e utilidade para a sobrevivência urbana, eu continuo não gostando deles porque além deles me tirarem o sono, a reflexão racional, eles me tiram a coisa essencial para a vida do homem moderno, o tédio.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Bala No Ventilador
Agora não há mais volta. A merda já esta a caminho do ventilador, a hélice deste já esta sedenta pelo dejeto. Não querer esconder o que já virou verdade, o Rio já virou guerra civil! Estamos no caminho de Ruanda com os nossos próprios Hutus e Tútsis (C.V., T.C., A.D.A., fora as novas facções dissidentes dos dissidentes T.C. e A.D.A.). Nossa guerra não é étnica, mas é de poder. Poderia virar étnica, mas não se pode fazer isso no Brasil antes de se fazer uma esterilização em massa, por essas razões a guerra pelo poder — das drogas, das armas, da vida — é mais fácil.
Não sei como eu sempre consegui dormi bem. Nunca havia eu prestado a atenção aos tiroteios, mas ontem à noite fora diferente. Estava tentando dormir a mais de uma hora, rolando de um lado e pro outro, daí vieram os tiros. Muitos tiros, de todos os calibres e formatos. Veio também aquela sensação meio que claustrofóbica de que aquilo estaria passando rente a minha janela, de que eu seria acertado e morreria como um grande alvo gordo. Entraria com forte peso para estatística. Aquela cena me tirou o sono, esperei os tiros acabarem, levantei-me bebi uma água, fui até o banheiro dei uma mijada, estava eu de pernas bambas quase que não acertei o vaso, joguei uma água a cara, me enxuguei, tomei mais um gole d’água e me pus de novo a tentar dormir. Quando estava conseguindo chegar ao país dos sonhos os tiros vieram e mataram as minhas ovelhinhas. Depois acho que voltei a me acostumar com a sinfonia metálica e cai no sono (até que o crime organizado atira com certa cadência, respeitando uma harmonia de timbres, deve haver uma boa regência por trás disso).
Quando acordei pela manha de sábado ouvi mais tiros, vi que eles haviam derrubado um helicóptero da polícia, que eles tinham queimado ônibus, que a comunidade em desespero fechou uma rua. Acordei meio chocado, meio Roméo Dallaire, parece que a tela de proteção que esteve sempre ali acabou de desabar, estava vendo a desarmonia a minha frente e as pessoas pouco se importando para ela.
Das duas umas: primeiro a violência é um comportamento tão natural do ser quanto ficar excitado (já dizia Hobbes: “o homem é o lobo do homem”), ou então a violência é uma coisa que já esta tão entranhada nosso ser que ela já caiu no senso comum. Talvez seja o misto das duas. Nós somos sádicos por natureza, rimos das desgraças dos outros, rimos de tiros e de explosões. Gostamos disso, achamos engraçado, até que o esquartejador bata a sua porta. Já banalizamos tanto a violência que ela agora nos banaliza, mostrando ser um sistema muito mais complexo e mais bem preparado do que imaginávamos.
Não deveríamos achar normal um cara matar o outro no meio da rua a queima roupa no meio de uma rua movimentada, se fosse no campo seria outra história. É normal morrer? De certo é! Tanto é que cada um só morre uma vez, é só esperar. É normal viver? De fato é! Então, essas coisas são normais, pessoas morrem toda hora, mas morrer por causa da violência não é uma coisa certa, nunca foi e nunca será. Quem ta certo o bandido ou policial? Mas quem é o policial e quem é o bandido? Depende do ponto de vista. No Brasil é tudo erro de base, a polícia só tem duzentos anos, então quer dizer que nos outros trezentos a putaria corria solta? A Falange Vermelha nasceu em plena ditadura quando os presos políticos ficaram encarcerados juntos aos presos comuns lá no Caldeirão do Diabo, na Ilha Grande, onde ambos os presos conviviam trocando conhecimentos, nisso os políticos ensinaram técnicas de guerrilha aos comuns, daí o resto é C.V. mesmo.
Hoje a bandidagem conseguiu materializar a grande metáfora das pessoas que estão na vala: eles tacaram merda no ventilador! Estamos perdidos.
Não sei como eu sempre consegui dormi bem. Nunca havia eu prestado a atenção aos tiroteios, mas ontem à noite fora diferente. Estava tentando dormir a mais de uma hora, rolando de um lado e pro outro, daí vieram os tiros. Muitos tiros, de todos os calibres e formatos. Veio também aquela sensação meio que claustrofóbica de que aquilo estaria passando rente a minha janela, de que eu seria acertado e morreria como um grande alvo gordo. Entraria com forte peso para estatística. Aquela cena me tirou o sono, esperei os tiros acabarem, levantei-me bebi uma água, fui até o banheiro dei uma mijada, estava eu de pernas bambas quase que não acertei o vaso, joguei uma água a cara, me enxuguei, tomei mais um gole d’água e me pus de novo a tentar dormir. Quando estava conseguindo chegar ao país dos sonhos os tiros vieram e mataram as minhas ovelhinhas. Depois acho que voltei a me acostumar com a sinfonia metálica e cai no sono (até que o crime organizado atira com certa cadência, respeitando uma harmonia de timbres, deve haver uma boa regência por trás disso).
Quando acordei pela manha de sábado ouvi mais tiros, vi que eles haviam derrubado um helicóptero da polícia, que eles tinham queimado ônibus, que a comunidade em desespero fechou uma rua. Acordei meio chocado, meio Roméo Dallaire, parece que a tela de proteção que esteve sempre ali acabou de desabar, estava vendo a desarmonia a minha frente e as pessoas pouco se importando para ela.
Das duas umas: primeiro a violência é um comportamento tão natural do ser quanto ficar excitado (já dizia Hobbes: “o homem é o lobo do homem”), ou então a violência é uma coisa que já esta tão entranhada nosso ser que ela já caiu no senso comum. Talvez seja o misto das duas. Nós somos sádicos por natureza, rimos das desgraças dos outros, rimos de tiros e de explosões. Gostamos disso, achamos engraçado, até que o esquartejador bata a sua porta. Já banalizamos tanto a violência que ela agora nos banaliza, mostrando ser um sistema muito mais complexo e mais bem preparado do que imaginávamos.
Não deveríamos achar normal um cara matar o outro no meio da rua a queima roupa no meio de uma rua movimentada, se fosse no campo seria outra história. É normal morrer? De certo é! Tanto é que cada um só morre uma vez, é só esperar. É normal viver? De fato é! Então, essas coisas são normais, pessoas morrem toda hora, mas morrer por causa da violência não é uma coisa certa, nunca foi e nunca será. Quem ta certo o bandido ou policial? Mas quem é o policial e quem é o bandido? Depende do ponto de vista. No Brasil é tudo erro de base, a polícia só tem duzentos anos, então quer dizer que nos outros trezentos a putaria corria solta? A Falange Vermelha nasceu em plena ditadura quando os presos políticos ficaram encarcerados juntos aos presos comuns lá no Caldeirão do Diabo, na Ilha Grande, onde ambos os presos conviviam trocando conhecimentos, nisso os políticos ensinaram técnicas de guerrilha aos comuns, daí o resto é C.V. mesmo.
Hoje a bandidagem conseguiu materializar a grande metáfora das pessoas que estão na vala: eles tacaram merda no ventilador! Estamos perdidos.
sábado, 3 de outubro de 2009
Cabeça Cheia De Pensamentos Vazios
Anda nada tranqüilo; trabalha todo irritado. Trânsito, caos, farra, porre, cerveja, uísque, vodka, cachaça. Poker, Trinca, Full House, sem House. Putas, vadias, escuro... Boteco, Sinuca, Bola Oito. Rotina crônica, cavalos, bichos, ventilador de teto quebrado girando lentamente. Miles Davis, Chico Buarque, Motorhead, Buddy Guy, bateria, gaita. Mais cervejas, Brahma, Boêmia, Heineken, Duvel, Jack Daniels. Becos, Alentejo, sushis, bacalhaus, rocamboles, nhoques, pesticidas, iates, guerra eminente da América Latina, devassas ardentes. Lapa, Carioca, Largo do Machado, Ipanema, Irajá. Polícia, críticas, e mais críticas, sou criticado. Cinema, Kubrick, Coppola, Spike Lee, Billy Wilder, Oscar Peterson, Herbie Hancock, Magic Slim, Cartola, Bezerra, Tom! Mangueira, Sapucaí, Petrópolis, Berlim, Corona, Paulaner, vitrola com LP. Ensaios, Sócrates, Kant, sarcasmo, ironia, dor, amor, falta de consciência. Chapéu coco, óculos escuros, cara de mal, aparência cheia de pecados, meus demônios estão à tona — “sou um livro aberto com páginas bem viradas”. Tatuagens para se marcar e lembrar das dores do passado, das farras, barba por fazer. Cara de bunda com diarréia, olhar decadente, o cara não é valente, só se garante com a quarenta e quatro. Chuva, calor. Barca, ônibus, táxi, moto, banco, boteco, casa, trabalho, livro, CD, sem fama, viver noir, morrer noir, fama noir! Fim!
Espasmo, o braço moveu-se com toda a espontaneidade dada a uma ereção, o punho acompanhou com maestria os movimentos bruscos e suaves e a caneta cravou tudo no papel. Sem medo, sem coerência, sem, vontade, sem, te-são! Pirei por minutos, por segundos, por décadas, por séculos. Meu braço se auto elocubrou, acho que é castigo dado a quem escreve e pensa muito. As palavras estavam relapsas por causa de todo esse movimento afobado. Estavam guardadas pelo tempo dentro de uma mente desgraçada atordoada.
Se as coisas não fazem sentido, beba. Primeira dose, nada, talvez no terceiro trago haja alguma coisa. Estamos chegando lá. Talvez na décima. Essa não ocorreu. Escrever pensando bêbado ou bêbado de escrever? Assim é a arte, se a obra não fizer sentido, beba até achá-lo! Assim, a análise da arte de uma pessoa será sempre a sua arte, pintada por outra, chegamos à interpretação intrapessoal anfótera! Nessa linha de pensamento chegamos a grande questão da humanidade, a de que ninguém entende a obra como o próprio obreiro.
Chegamos ao cúmulo da velocidade, a falta da expressão. Ou será que chegamos ao cúmulo da modernidade, o fator que engloba a velocidade inexpressiva? Será o fim da dialética construtiva do passado, pois o meu presente é passado, ou seu presente é o meu futuro? Logo eu sempre viverei atemporalizado num vortex de obras paradoxais!
Se você não entendeu nada do texto escrito acima, sugiro que você veja um jornal pela televisão e tente se lembrar, após o jornal acabar, da primeira notícia dada pelo âncora. Depois releia o texto e de um grito de guerra tupi e taque o seu televisor pela janela. Defenestre o Rei!
Espasmo, o braço moveu-se com toda a espontaneidade dada a uma ereção, o punho acompanhou com maestria os movimentos bruscos e suaves e a caneta cravou tudo no papel. Sem medo, sem coerência, sem, vontade, sem, te-são! Pirei por minutos, por segundos, por décadas, por séculos. Meu braço se auto elocubrou, acho que é castigo dado a quem escreve e pensa muito. As palavras estavam relapsas por causa de todo esse movimento afobado. Estavam guardadas pelo tempo dentro de uma mente desgraçada atordoada.
Se as coisas não fazem sentido, beba. Primeira dose, nada, talvez no terceiro trago haja alguma coisa. Estamos chegando lá. Talvez na décima. Essa não ocorreu. Escrever pensando bêbado ou bêbado de escrever? Assim é a arte, se a obra não fizer sentido, beba até achá-lo! Assim, a análise da arte de uma pessoa será sempre a sua arte, pintada por outra, chegamos à interpretação intrapessoal anfótera! Nessa linha de pensamento chegamos a grande questão da humanidade, a de que ninguém entende a obra como o próprio obreiro.
Chegamos ao cúmulo da velocidade, a falta da expressão. Ou será que chegamos ao cúmulo da modernidade, o fator que engloba a velocidade inexpressiva? Será o fim da dialética construtiva do passado, pois o meu presente é passado, ou seu presente é o meu futuro? Logo eu sempre viverei atemporalizado num vortex de obras paradoxais!
Se você não entendeu nada do texto escrito acima, sugiro que você veja um jornal pela televisão e tente se lembrar, após o jornal acabar, da primeira notícia dada pelo âncora. Depois releia o texto e de um grito de guerra tupi e taque o seu televisor pela janela. Defenestre o Rei!
BurreauKrátos
A ignorância burocrática de nossos meios governamentais, jurídicos, legislativos, médicos, policiais, realmente me assusta, na verdade me enjoa. Esse poder que emana dos escritórios é realmente muito intrigante, pois a burocracia é burocrata. Pois as divisões de poderes, com intuito de fazer um sistema de engrenagens verticalizado, que funcione como um relógio suíço, através da impessoalidade e a limitação de poderes de cada uma dessas engrenagens subordinadas numa sucessiva ordem de divisão de poderes e responsabilidades seria realmente um sistema bem interessante. Se antes a burocracia não emanasse de subservientes. É uma coisa perfeita para robôs que não tivessem chipes de emoções e de ganância, e que também não fossem ousados o suficiente parar tentar atirar a primeira pedra da luxúria na vidraça do caos.
Divisão de responsabilidades nunca dá certo. E isso é uma lição que as pessoas levam de casa, pois nunca dá certo com a divisão das tarefas do lar, o filho reclama, o pai se omite e a santa mãe faz todo o serviço nefasto, tudo culpa de seu sentimento maternal.
Acho que não conseguiria viver num mundo sem burocracia. Num mundo em que você vai ao banco resolver a questão da previdência e é bem atendido, vai ao cartório tirar toda a sua culpa de lá num piscar de olhos, vai ao hospital público e é bem atendido sem demora, vai a um restaurante e o garçom não demora parar lhe atender! Seria um realidade utópica, nada de filas, nada de juros, nada de caras feias, nada de problemas, mas como já disse Sócrates — “ Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.
Não deveria haver mais discussões sobre burocracia, também como hipocrisia, futebol, mulher, religião, política, efeito estufa, mas também não haveria mais conversas nem provas de vestibular. Ou então deveriam dar aulas nas escolas sobres esses “assuntos polêmicos” (as aulas de filosofia que ninguém dá valor). Porque se as pessoas já estivessem mais familiarizadas com esses termos elas não se assustariam tanto pela vida e não fariam mais perguntas inconvenientes e idiotas. Coisa que também nunca irá acontecer, pois o sistema educacional é tão burocrático quanto o Congresso. Povo burro é mais fácil de governar, quer dizer ordenar, pois ele não tem discernimento para retrucar coisas além de cerveja, samba e futebol (coisa que também não fazem direito, falta um pouco de virtù da parte da população). O sistema tarda, tarda, e acaba falhando; a corda sempre rompe pro lado mais fraco; a ocasião faz o ladrão; e mesmo sabendo que macaco velho não mete a mão em cumbuca, sei que cedo ou tarde a nossa burocracia o derruba.
Divisão de responsabilidades nunca dá certo. E isso é uma lição que as pessoas levam de casa, pois nunca dá certo com a divisão das tarefas do lar, o filho reclama, o pai se omite e a santa mãe faz todo o serviço nefasto, tudo culpa de seu sentimento maternal.
Acho que não conseguiria viver num mundo sem burocracia. Num mundo em que você vai ao banco resolver a questão da previdência e é bem atendido, vai ao cartório tirar toda a sua culpa de lá num piscar de olhos, vai ao hospital público e é bem atendido sem demora, vai a um restaurante e o garçom não demora parar lhe atender! Seria um realidade utópica, nada de filas, nada de juros, nada de caras feias, nada de problemas, mas como já disse Sócrates — “ Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.
Não deveria haver mais discussões sobre burocracia, também como hipocrisia, futebol, mulher, religião, política, efeito estufa, mas também não haveria mais conversas nem provas de vestibular. Ou então deveriam dar aulas nas escolas sobres esses “assuntos polêmicos” (as aulas de filosofia que ninguém dá valor). Porque se as pessoas já estivessem mais familiarizadas com esses termos elas não se assustariam tanto pela vida e não fariam mais perguntas inconvenientes e idiotas. Coisa que também nunca irá acontecer, pois o sistema educacional é tão burocrático quanto o Congresso. Povo burro é mais fácil de governar, quer dizer ordenar, pois ele não tem discernimento para retrucar coisas além de cerveja, samba e futebol (coisa que também não fazem direito, falta um pouco de virtù da parte da população). O sistema tarda, tarda, e acaba falhando; a corda sempre rompe pro lado mais fraco; a ocasião faz o ladrão; e mesmo sabendo que macaco velho não mete a mão em cumbuca, sei que cedo ou tarde a nossa burocracia o derruba.
Versos Singelos
Eu te levo pro bar e você nem reclama
Somos apenas amigos que nunca se viram em cama
Somente duas pessoas do sexo oposto que gostam de beber
E esquecer de suas vidas
Tento te levar a bons locais
Para beber uma cerveja ou ver um filme
Mas logo que me empolgo você me corta sutilmente
Reclamando das minhas moedas que são decadentes
Sei que estou longe de ser um bom amante
O que posso fazer, sou apenas um gordo cronista
Que se mete a escrever uns blues que no final viram poemas
Um cara que vive falando da sweet little girl you ain't never had
Não sei como ainda tu me aturas
Queria saber como tu me suportas
Só quero que você saiba que eu te amo
Te amo como amigo
Pois depois de tanto tempo que te conheço
Não quero te perder por um mal entendido
Confesso também que quando lhe conheci te desejei
E como já disse não gostaria de correr o risco e perder uma amizade
Prefiro terminar como você disse pra mim dia desses:
Eu quero mesmo é me divertir.
Somos apenas amigos que nunca se viram em cama
Somente duas pessoas do sexo oposto que gostam de beber
E esquecer de suas vidas
Tento te levar a bons locais
Para beber uma cerveja ou ver um filme
Mas logo que me empolgo você me corta sutilmente
Reclamando das minhas moedas que são decadentes
Sei que estou longe de ser um bom amante
O que posso fazer, sou apenas um gordo cronista
Que se mete a escrever uns blues que no final viram poemas
Um cara que vive falando da sweet little girl you ain't never had
Não sei como ainda tu me aturas
Queria saber como tu me suportas
Só quero que você saiba que eu te amo
Te amo como amigo
Pois depois de tanto tempo que te conheço
Não quero te perder por um mal entendido
Confesso também que quando lhe conheci te desejei
E como já disse não gostaria de correr o risco e perder uma amizade
Prefiro terminar como você disse pra mim dia desses:
Eu quero mesmo é me divertir.
Conte-me
Eu sou babaca,
Mas você diz que eu sou bacana.
Você diz que eu presto,
Mas eu só quero te levar pra cama.
Eu digo, escrevo, canto coisas feias para você,
Você diz que são todas lindas
E diz que sente saudades,
Mas não sente as mesmas que eu sinto por você.
Eu quero lhe ver e te comer.
Você quer me ver, por ver.
Não agüento mais tanto tormento,
Tento te esquecer mais não consigo,
Se você não me quiser, fale sério comigo.
Não quero viver de falsas esperanças e de sobrevidas.
Só não quero sofrer mais!
Não deite com outro
Pra me deixar louco e para eu te odiar.
Se tu tiveres de deitar com outro
Antes me diga que não quer me amar.
Mas você diz que eu sou bacana.
Você diz que eu presto,
Mas eu só quero te levar pra cama.
Eu digo, escrevo, canto coisas feias para você,
Você diz que são todas lindas
E diz que sente saudades,
Mas não sente as mesmas que eu sinto por você.
Eu quero lhe ver e te comer.
Você quer me ver, por ver.
Não agüento mais tanto tormento,
Tento te esquecer mais não consigo,
Se você não me quiser, fale sério comigo.
Não quero viver de falsas esperanças e de sobrevidas.
Só não quero sofrer mais!
Não deite com outro
Pra me deixar louco e para eu te odiar.
Se tu tiveres de deitar com outro
Antes me diga que não quer me amar.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Futebol, O Ópio Do Povo!
A única coisa que Marx errou, a meu ver, foi na questão do ópio do povo. Que a religião é o ópio do povo isso é inegável, ainda mais este belo argumento da sustentação a sua tese e a sua crítica a Igreja. Mas para mim, o verdadeiro ópio do povo é o futebol, pelo menos no Brasil.
Na verdade me sinto muito ousado a discutir com um cara desses, mesmo este estando morto a mais de um século me sinto um tanto envergonhado em discutir com uma barba daquelas, quando tiver uma barba tão imponente quanto à dele vou começar a criticá-lo duramente, mas ainda não é hora nem lugar para tal.
Tudo bem, religião é ópio do povo, concordo, nunca irei discutir quanto a isso. Ainda mais vivendo num país “cristão”, que de cristão não tem nada, o povo brasileiro é cristão para inglês ver. Pois já me cansei de ver pessoas que se diziam da Bíblia, fazendo despachos e depois criticando as pessoas que fazem o mesmo. Acho muita babaquice destas pessoas que criticam e não respeitam o credo das pessoas. Ainda mais das riquíssimas religiões afro-brasileiras como o Candomblé e a Umbanda, isso é parte da nossa cultura, da nossa pluralidade cultural. E se um desses hipócritas estiver lendo esse texto, aprenda de uma vez: macumbeiro é quem toca macumba, e macumba é um reco-reco. Também não ouso discutir sobre as religiões de esquina que crescem até ocuparem um quarteirão e para onde vai esse dinheiro doado filantropicamente pelos fiéis para iates de mil pés.
Como já disse não discordo, mas acho que essa observação não poderia ter sido tomada em pleno século dezenove. A primeira associação de futebol foi em mil oitocentos e sessenta e três, na Inglaterra. O jogo se tornou olímpico na virada do século, e a primeira Copa do Mundo foi em trinta. A coisa ainda era muito nova para poder virar uma droga.
Irei apenas me restringir ao Brasil, veja que alguns clubes de futebol foram oriundos de grupos de trabalhadores de algumas fábricas, criados com ajuda do patrão, para desmobilizar a prática de idéias esquerdistas através de sindicatos. Já começa mal, já começa com a idéia de mexer com a cabeça do operário, depois fora piorado com a bela “política” de cerveja, samba e futebol, usada durante o período da Ditadura Militar, artifício para deixar a classe média menos triste. “Todos juntos vamos pra frente Brasil! Salve a seleção!”. Sensacional esse amor eloqüente de verbos mais hipócritas que o próprio milagre que acontecia no país no momento. O vulgo “Milagre Econômico”, a classe média teve mais poder de aquisição e o pobre de degradação, sem esquecer os “Anos de Chumbo” que tangenciavam também esse lindo momento Brasileiro. Mas a seleção ganhou! O Brasil é o país do futuro! E dá lhe sarrafo, cerveja, repressão e futebol nas costas do povo brasileiro.
Passamos por tudo isso, cheio de mortos e feridos, saímos traumatizados, quando tivemos a chance de votar, votamos na careca Neves, mas levamos o bigode Sarney. Ferramos-nos, fomos ainda mais roubados. Como aquele bigode deve ser sujo, por ter se empanturrado tanto tempo nas tetas da porca. Depois fomos surpreendidos pelo filho da oligarquia de Alagoas, que deveria ser filho da outra, pois este foi o ladrão metido a esperto, quis roubar o bolo todo e de todos, resultado impeachment. Depois veio o real topete Itamar, o cara que nos salvou. E mais recentemente o FHC e o Lula, que tem mantido bem os seus papéis. Eu não posso falar muito mal do FHC, pois na época eu era uma criança feliz que achava ele um tio do bem. O Lula vem seguindo “basicamente” a mesma política do FHC. Os maiores problemas de seu governo foram: a sua posse conturbada, os seus discursos, os quais eu acho que ele mesmo com a pouca instrução sabe mexer com a “platéia”, e os piores foram os escândalos de corrupção que vieram à tona ao longo de seu mandado.
Mas no final das contas o povo, nesse inteirinho de quarenta anos descritos acima, só se importou com: a perda da seleção em setenta e oito, a aquisição do tetra em noventa e quatro, graças ao Romário (que pessoalmente eu não gosto); a derrota para os franceses em noventa e oito, o penta em dois mil e dois, e a derrota em dois mil e seis. Isso deixou o país tão atormentado quanto todos esses escândalos políticos, mas as pessoas esquecem da política, do futebol não. Vide os enúmeros Campeonatos Brasileiros, Séries As, Copas Brasil, Campeonatos Cariocas, que são construídos em revanchismos quase que seculares.
Eu não quero que todos do Brasil entendam de política, acompanhem a nossa política, até porque se acompanhassem alguma medida já teria sido tomada, mas o que eu mais quero é que reduzisse esse fanatismo. Que um vascaíno e que um flamenguista pudessem se falar dignamente depois do jogo, pois parece que muitas pessoas — grande parte do país — adotaram essa maravilhosa filosofia cerveja, samba e futebol as suas vidas. A qual em parte eu não condeno. Mas digo que quando um dia as canelas começarem a doer de tanto futebol, os calcanhares de tanto sambar, e os rins de tanto beber, não me venham com desculpas que eu estava certo, nós vamos pagar o preço do cabresto, e quando vocês vierem me gritando para salvá-los eu apenas suspirarei, não.
Na verdade me sinto muito ousado a discutir com um cara desses, mesmo este estando morto a mais de um século me sinto um tanto envergonhado em discutir com uma barba daquelas, quando tiver uma barba tão imponente quanto à dele vou começar a criticá-lo duramente, mas ainda não é hora nem lugar para tal.
Tudo bem, religião é ópio do povo, concordo, nunca irei discutir quanto a isso. Ainda mais vivendo num país “cristão”, que de cristão não tem nada, o povo brasileiro é cristão para inglês ver. Pois já me cansei de ver pessoas que se diziam da Bíblia, fazendo despachos e depois criticando as pessoas que fazem o mesmo. Acho muita babaquice destas pessoas que criticam e não respeitam o credo das pessoas. Ainda mais das riquíssimas religiões afro-brasileiras como o Candomblé e a Umbanda, isso é parte da nossa cultura, da nossa pluralidade cultural. E se um desses hipócritas estiver lendo esse texto, aprenda de uma vez: macumbeiro é quem toca macumba, e macumba é um reco-reco. Também não ouso discutir sobre as religiões de esquina que crescem até ocuparem um quarteirão e para onde vai esse dinheiro doado filantropicamente pelos fiéis para iates de mil pés.
Como já disse não discordo, mas acho que essa observação não poderia ter sido tomada em pleno século dezenove. A primeira associação de futebol foi em mil oitocentos e sessenta e três, na Inglaterra. O jogo se tornou olímpico na virada do século, e a primeira Copa do Mundo foi em trinta. A coisa ainda era muito nova para poder virar uma droga.
Irei apenas me restringir ao Brasil, veja que alguns clubes de futebol foram oriundos de grupos de trabalhadores de algumas fábricas, criados com ajuda do patrão, para desmobilizar a prática de idéias esquerdistas através de sindicatos. Já começa mal, já começa com a idéia de mexer com a cabeça do operário, depois fora piorado com a bela “política” de cerveja, samba e futebol, usada durante o período da Ditadura Militar, artifício para deixar a classe média menos triste. “Todos juntos vamos pra frente Brasil! Salve a seleção!”. Sensacional esse amor eloqüente de verbos mais hipócritas que o próprio milagre que acontecia no país no momento. O vulgo “Milagre Econômico”, a classe média teve mais poder de aquisição e o pobre de degradação, sem esquecer os “Anos de Chumbo” que tangenciavam também esse lindo momento Brasileiro. Mas a seleção ganhou! O Brasil é o país do futuro! E dá lhe sarrafo, cerveja, repressão e futebol nas costas do povo brasileiro.
Passamos por tudo isso, cheio de mortos e feridos, saímos traumatizados, quando tivemos a chance de votar, votamos na careca Neves, mas levamos o bigode Sarney. Ferramos-nos, fomos ainda mais roubados. Como aquele bigode deve ser sujo, por ter se empanturrado tanto tempo nas tetas da porca. Depois fomos surpreendidos pelo filho da oligarquia de Alagoas, que deveria ser filho da outra, pois este foi o ladrão metido a esperto, quis roubar o bolo todo e de todos, resultado impeachment. Depois veio o real topete Itamar, o cara que nos salvou. E mais recentemente o FHC e o Lula, que tem mantido bem os seus papéis. Eu não posso falar muito mal do FHC, pois na época eu era uma criança feliz que achava ele um tio do bem. O Lula vem seguindo “basicamente” a mesma política do FHC. Os maiores problemas de seu governo foram: a sua posse conturbada, os seus discursos, os quais eu acho que ele mesmo com a pouca instrução sabe mexer com a “platéia”, e os piores foram os escândalos de corrupção que vieram à tona ao longo de seu mandado.
Mas no final das contas o povo, nesse inteirinho de quarenta anos descritos acima, só se importou com: a perda da seleção em setenta e oito, a aquisição do tetra em noventa e quatro, graças ao Romário (que pessoalmente eu não gosto); a derrota para os franceses em noventa e oito, o penta em dois mil e dois, e a derrota em dois mil e seis. Isso deixou o país tão atormentado quanto todos esses escândalos políticos, mas as pessoas esquecem da política, do futebol não. Vide os enúmeros Campeonatos Brasileiros, Séries As, Copas Brasil, Campeonatos Cariocas, que são construídos em revanchismos quase que seculares.
Eu não quero que todos do Brasil entendam de política, acompanhem a nossa política, até porque se acompanhassem alguma medida já teria sido tomada, mas o que eu mais quero é que reduzisse esse fanatismo. Que um vascaíno e que um flamenguista pudessem se falar dignamente depois do jogo, pois parece que muitas pessoas — grande parte do país — adotaram essa maravilhosa filosofia cerveja, samba e futebol as suas vidas. A qual em parte eu não condeno. Mas digo que quando um dia as canelas começarem a doer de tanto futebol, os calcanhares de tanto sambar, e os rins de tanto beber, não me venham com desculpas que eu estava certo, nós vamos pagar o preço do cabresto, e quando vocês vierem me gritando para salvá-los eu apenas suspirarei, não.
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