Me senti arrepiado, horrorizado,
Quando o morcego invadiu a minha casa.
Ele bem que fora tranqüilo comigo,
Mas eu fiquei amedrontado pelo seu bater de asa
Me senti perdido como um mendigo,
Bêbado e mal parido em meu próprio lar!
O morcego inglês me desterritorializou
Expulsou-me de minha casa atormentado!
E com toda a sua finesse este a morcegou.
Por um momento me senti na Índia,
Colonizada e saqueada,
Pelo menos meu coitado lar não foi envernizado.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Erotidiano
O pequeno recruta,
Acorda todo dia pela manhã injusta,
Para o quartel.
Fica em guarda toda hora,
Naquele corre, corre,
Naquele entra e sai.
Entra disposto e sai indisposto.
O cachorro passa o dia na rua,
Tentando entrar por toda porta.
Fica olhando rabo de saia e roendo osso,
Todo dia, os dias inteiros.
E ainda existem pessoas falando que são pudicas
Com um cotidiano apelativo destes, acho isso impossível!
Acorda todo dia pela manhã injusta,
Para o quartel.
Fica em guarda toda hora,
Naquele corre, corre,
Naquele entra e sai.
Entra disposto e sai indisposto.
O cachorro passa o dia na rua,
Tentando entrar por toda porta.
Fica olhando rabo de saia e roendo osso,
Todo dia, os dias inteiros.
E ainda existem pessoas falando que são pudicas
Com um cotidiano apelativo destes, acho isso impossível!
Nuvens Globais
Paro à minha janela
Olho para o céu e vejo nuvens:
Nuvens de chuva, nuvens brancas.
Nuvens de Boeing, nuvens de condensação!
Paro meia hora a observar,
Vendo cinco aviões a passar,
E filosofo:
Em uma hora dez
Em um dia duzentos e quarenta aviões a passar
E a minha casa a ficar!
Meu Deus! Nós somos globalizados!
Levei quase meia vida para ver esta verdade universal
Agora só me resta uma dúvida ancestral
Serão os deuses astronautas ou comissários de bordo?
Olho para o céu e vejo nuvens:
Nuvens de chuva, nuvens brancas.
Nuvens de Boeing, nuvens de condensação!
Paro meia hora a observar,
Vendo cinco aviões a passar,
E filosofo:
Em uma hora dez
Em um dia duzentos e quarenta aviões a passar
E a minha casa a ficar!
Meu Deus! Nós somos globalizados!
Levei quase meia vida para ver esta verdade universal
Agora só me resta uma dúvida ancestral
Serão os deuses astronautas ou comissários de bordo?
Barreira Social
Hoje eu vi um encargo social. Este é o problema de conceitos, eles são conceitos. E muitas vezes, como neste caso, não são muito concretos, e por causa desta invisibilidade, não são nada práticos.
Mas esta é a coisa bonita de um cotidiano paradoxal de um cronista, fazendo da realidade uma irrealidade cômica através de uma lente esverdeada presa por uma armação negra.
Todas estas coisas sociais são impossíveis de se entender facilmente, porque não há uma visualização perfeita das tais. Para tu veres, até o conceito de classe social já esta mais difícil. Antes era a clássica tríade (rico, classe média e pobre), agora, porém, existem tríades dentro das tríades! A clássica classe média já se dividiu em baixa, média e alta. São essas coisas que complicam, que deixa tudo isso no campo das idéias. São essas coisas que fazem as pessoas virarem no caixão, como por exemplo, Marx, este deve ser se revirar sempre que ouve coisas destas, pois imagine a luta de classes dentro de classes, seria a luta de subclasses. Se eu fosse Freud eu receitaria a Marx, Platão e Prozac, quisá Balzac, só para ele relaxar em completo, nada como um romantismo realista do século dezenove para amenizar a situação.
Mas hoje o conceito saiu do etéreo, se concretizou, via a mais perfeita idealização concretizada de conceitos sociais. Vi a real barreira social: um mendigo dormindo na porta de um banco!
Que cena, que horror, uma barreira suja, mas sincera; dormindo perante a soleira da porta suja de um banco nada sincero. O pacifismo dele era digno ao de um revolucionário igualmente mal lavado, que enojava a porta do banco, tinha vontade de cuspi-lo de sua boca que estava fétida e que não conseguia seduzir ninguém.
Sei que esta parece ser uma cena muito normal do Rio de Janeiro, e realmente é. Não sei se isso acontece em outras cidades, ou outros estados brasileiros, enfim em outro canto no mundo, minha ignorância me permite somente falar da minha cidade. Para muitos talvez esta seja uma cena comum, de uma comum metrópole comum, essas coisas já estão enraizadas em nossas entranhas, coisa que não deveria ter acontecido, mas aconteceu, e o que eu posso fazer? Nada, talvez apenas me dar ao luxo de tentar falar para as pessoas que não é normal, não é estético, não é aceitável, não é carioca, ver um mendigo dormindo aos pés do banco. É realmente paradoxal ver a pobreza dormindo na frente da riqueza.
Mas esta é a coisa bonita de um cotidiano paradoxal de um cronista, fazendo da realidade uma irrealidade cômica através de uma lente esverdeada presa por uma armação negra.
Todas estas coisas sociais são impossíveis de se entender facilmente, porque não há uma visualização perfeita das tais. Para tu veres, até o conceito de classe social já esta mais difícil. Antes era a clássica tríade (rico, classe média e pobre), agora, porém, existem tríades dentro das tríades! A clássica classe média já se dividiu em baixa, média e alta. São essas coisas que complicam, que deixa tudo isso no campo das idéias. São essas coisas que fazem as pessoas virarem no caixão, como por exemplo, Marx, este deve ser se revirar sempre que ouve coisas destas, pois imagine a luta de classes dentro de classes, seria a luta de subclasses. Se eu fosse Freud eu receitaria a Marx, Platão e Prozac, quisá Balzac, só para ele relaxar em completo, nada como um romantismo realista do século dezenove para amenizar a situação.
Mas hoje o conceito saiu do etéreo, se concretizou, via a mais perfeita idealização concretizada de conceitos sociais. Vi a real barreira social: um mendigo dormindo na porta de um banco!
Que cena, que horror, uma barreira suja, mas sincera; dormindo perante a soleira da porta suja de um banco nada sincero. O pacifismo dele era digno ao de um revolucionário igualmente mal lavado, que enojava a porta do banco, tinha vontade de cuspi-lo de sua boca que estava fétida e que não conseguia seduzir ninguém.
Sei que esta parece ser uma cena muito normal do Rio de Janeiro, e realmente é. Não sei se isso acontece em outras cidades, ou outros estados brasileiros, enfim em outro canto no mundo, minha ignorância me permite somente falar da minha cidade. Para muitos talvez esta seja uma cena comum, de uma comum metrópole comum, essas coisas já estão enraizadas em nossas entranhas, coisa que não deveria ter acontecido, mas aconteceu, e o que eu posso fazer? Nada, talvez apenas me dar ao luxo de tentar falar para as pessoas que não é normal, não é estético, não é aceitável, não é carioca, ver um mendigo dormindo aos pés do banco. É realmente paradoxal ver a pobreza dormindo na frente da riqueza.
Quando?
Quando é que você vai me jogar na parede
E me sussurrar ao ouvido: - Bu!
Para eu lhe dizer: - Ah!
Para tu enfim com um beijo
Engolir todo o meu ar
E o meu manifesto de dor
O transformando em um singelo amor
Usurpando o tempo e o deixando paradoxal
Fazendo-me esquecer do: - Au!
Pena que isso é só um sonho torto
Sobre um amor oco
De um gordo louco
Se ela pudesse ao menos entender o que digo,
Ao menos eu ia ficar menos sentido.
E me sussurrar ao ouvido: - Bu!
Para eu lhe dizer: - Ah!
Para tu enfim com um beijo
Engolir todo o meu ar
E o meu manifesto de dor
O transformando em um singelo amor
Usurpando o tempo e o deixando paradoxal
Fazendo-me esquecer do: - Au!
Pena que isso é só um sonho torto
Sobre um amor oco
De um gordo louco
Se ela pudesse ao menos entender o que digo,
Ao menos eu ia ficar menos sentido.
A Rotina Pós-Moderna De Um Gordo Realista
Aos Domingos me sinto um romântico de segunda geração
Com toda a minha morbidez em contemplação
Nas Segundas pareço um ateu
Questionando a existência do criador
Já na Terça me lembro que sou brasileiro
E que não desisto nunca
Na Quarta sou filósofo niilista
Relacionando o meio da semana ao paradigma do não existir
As Quintas viro um revolucionário
Arquitetando os meus planos para tomar o poder
Sexta sou um poeta goliardiano
Bebendo e criticando a Deus e o existir
Por fim no Sábado vou pro circo pra ser malabarista
Tentando fazer de tudo ao mesmo tempo na corda bamba
Mas se isso tudo não acontecer,
Se a rotina não acontecer
Eu desligo a TV
E trucido a mídia
Com uma crônica poética
Sem perder a minha ética
Pois o moderno esculhambou
E o pós-moderno esculachou com um massacre verbal.
Com toda a minha morbidez em contemplação
Nas Segundas pareço um ateu
Questionando a existência do criador
Já na Terça me lembro que sou brasileiro
E que não desisto nunca
Na Quarta sou filósofo niilista
Relacionando o meio da semana ao paradigma do não existir
As Quintas viro um revolucionário
Arquitetando os meus planos para tomar o poder
Sexta sou um poeta goliardiano
Bebendo e criticando a Deus e o existir
Por fim no Sábado vou pro circo pra ser malabarista
Tentando fazer de tudo ao mesmo tempo na corda bamba
Mas se isso tudo não acontecer,
Se a rotina não acontecer
Eu desligo a TV
E trucido a mídia
Com uma crônica poética
Sem perder a minha ética
Pois o moderno esculhambou
E o pós-moderno esculachou com um massacre verbal.
Eu Tenho H.R.C.C., E Você?
Tu sabes o que é hiperatividade rítmica crônica compulsiva? Não?! Bem, saiba você, que você, pode ter e não sabe. Confesso que eu tenho este distúrbio nervoso, não sei desde quando tenho, mas sei que tenho (talvez desde quando eu comecei a tocar bateria).
Os sintomas são tão simples que o próprio nome explica. Analise morfologicamente o nome da síndrome, agora reflita, filosofe, respire fundo e veja que isso é basicamente a bateção de pé constante, só que ritmada.
Não é tara, nem psique, talvez trauma, possivelmente estresse, se esse estiver em um nível muito frenético, mas em base a maioria, em tese, é tédio.
Há também de se entender que muitos que têm essa mania escrota são em parte: bateristas, pessoas que gostam de bateria, percussionistas, pessoas que gostam de percussão, ou pessoas que escutam rock, ou metal, ou qualquer ritmo onde a bateria é exacerbada, ou não.
Em grandes crises de H.R.C.C. pessoas começam a tocar, imaginar, coisas loucas. Entenda que os casos são tão pessoais e isolados quanto às pessoas, por isso não há um padrão para essa doença.
Nessas grandes crises pessoas vão de Slayer à Afroreggae! E por falta de interesse e falta de estudo nesta anomalia psicopedagógica, pessoas normais sofrem todos os dias dessa moléstia. Na verdade, quem sofre é a pessoa ou as pessoas, que estão do lado do perturbado, o H.R.C.C. é que nem a maconha: da mó barato pro usuário e mó incomodo ao não usufrutuário!
Os sintomas são tão simples que o próprio nome explica. Analise morfologicamente o nome da síndrome, agora reflita, filosofe, respire fundo e veja que isso é basicamente a bateção de pé constante, só que ritmada.
Não é tara, nem psique, talvez trauma, possivelmente estresse, se esse estiver em um nível muito frenético, mas em base a maioria, em tese, é tédio.
Há também de se entender que muitos que têm essa mania escrota são em parte: bateristas, pessoas que gostam de bateria, percussionistas, pessoas que gostam de percussão, ou pessoas que escutam rock, ou metal, ou qualquer ritmo onde a bateria é exacerbada, ou não.
Em grandes crises de H.R.C.C. pessoas começam a tocar, imaginar, coisas loucas. Entenda que os casos são tão pessoais e isolados quanto às pessoas, por isso não há um padrão para essa doença.
Nessas grandes crises pessoas vão de Slayer à Afroreggae! E por falta de interesse e falta de estudo nesta anomalia psicopedagógica, pessoas normais sofrem todos os dias dessa moléstia. Na verdade, quem sofre é a pessoa ou as pessoas, que estão do lado do perturbado, o H.R.C.C. é que nem a maconha: da mó barato pro usuário e mó incomodo ao não usufrutuário!
Assinar:
Postagens (Atom)