sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eu Tenho H.R.C.C., E Você?

Tu sabes o que é hiperatividade rítmica crônica compulsiva? Não?! Bem, saiba você, que você, pode ter e não sabe. Confesso que eu tenho este distúrbio nervoso, não sei desde quando tenho, mas sei que tenho (talvez desde quando eu comecei a tocar bateria).
Os sintomas são tão simples que o próprio nome explica. Analise morfologicamente o nome da síndrome, agora reflita, filosofe, respire fundo e veja que isso é basicamente a bateção de pé constante, só que ritmada.
Não é tara, nem psique, talvez trauma, possivelmente estresse, se esse estiver em um nível muito frenético, mas em base a maioria, em tese, é tédio.
Há também de se entender que muitos que têm essa mania escrota são em parte: bateristas, pessoas que gostam de bateria, percussionistas, pessoas que gostam de percussão, ou pessoas que escutam rock, ou metal, ou qualquer ritmo onde a bateria é exacerbada, ou não.
Em grandes crises de H.R.C.C. pessoas começam a tocar, imaginar, coisas loucas. Entenda que os casos são tão pessoais e isolados quanto às pessoas, por isso não há um padrão para essa doença.
Nessas grandes crises pessoas vão de Slayer à Afroreggae! E por falta de interesse e falta de estudo nesta anomalia psicopedagógica, pessoas normais sofrem todos os dias dessa moléstia. Na verdade, quem sofre é a pessoa ou as pessoas, que estão do lado do perturbado, o H.R.C.C. é que nem a maconha: da mó barato pro usuário e mó incomodo ao não usufrutuário!

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Vestido

Pergunto-te primeiramente
Se o vestido que tu tavas ontem
Era para chamar a tensão ou para me provocar?
Se foi para chamar atenção, tenha certeza que as massas tu agradou;
Mas se foi para me provocar, tenha certeza que tu me deixaste,
Nervoso em poder ver, mas não admirar,
Diretamente as tuas belas pernas
Cobertas por um pequeno pano que as mal cobriam.
Digo-te que a minha situação fora complicada,
Não sei se o sentimento era recíproco,
Mas eu bem queria conversar com você,
Em outro lugar, usando outras palavras,
E talvez num outro ângulo
Podendo ver no chão o meu xadrez em cima do seu vestido.
Eu em pé com uma cerveja a mão e você deitada na cama,
Eu me sentiria um deus realizando o milagre ancestral:
Mon chérie, o pecado original...

Favela XIX

A favela no Brasil começou no século dezenove. Ta assustado? Ouso ser mais preciso, a favela começou no ano de 1888 com a maravilhosa Lei Áurea, assinada pela feíssima Princesa Isabel. A lei que deixou o negro solto no mundo, como um recém nascido, só que sem os cuidados médicos adequados; desse jeito o negro ficou sem ter para onde ir e para onde voltar, pois os seus antigos donos já mais não os queriam mais!
Fazendo deles assim ainda mais apatriados. A marginalização foi crescente, quem ia dar de trabalhar a um ex-escravo. Foi a partir daí que começou, ou se agravou o racismo, o preconceito, a exclusão social, a violência, coisas que essa abolição da escravatura não se responsabilizou. O problema é que esqueceram de botar a cláusula da conscientização social nesta.
Se coloque na situação do cara que fora trazido da sua terra para outra terra, ou de um cara sem saber de quem nasceu. Sem saber da sua história, apenas sabendo que tinha que cortar cana, ou achar ouro, ou café, ou vendendo frutas, ou sendo ferreiro, ou sendo mucama, e que era coagido, humilhado, mal tratado, chicoteado. E agora depois de anos você estava enfim liberto socialmente e espiritualmente, sem ter pra onde ir e sem dinheiro, o que você faria?
É muito complicado ver esta parte feia e altamente interessante do Brasil, que a maioria das pessoas tem um misto de medo e nojo. A favela, a favelização dos morros ou dos espaços urbanos, é uma questão muito complicada. A favela já foi terra de gente pobre e honesta por muito tempo. Era pobre porque era excluída pela sociedade por questões de cor, e era honesto porque o seu coração nobre não o mandava fazer que nem os outros de cor. De uns tempos pra cá por varias questões começou a se intensificar o banditismo social, talvez por pura maldade, ou por necessidade, ou por uma questão de classe, como diria o grandessíssimo Chico Science.
É fato que a violência cresceu absurdamente e abruptamente, mas também o que pode ser falado de uma realidade esquecida, deixada de lado num mundo de exclusões. O crime organizado é que nem uma criança, fazendo de tudo para chamar a atenção! Foi assim que eles conseguiram, não saem da mídia, todo dia eles são primeira capa! A culpa é da vitrine da loja chamada classe média que institui e dita o que a criança quer. Ai a mãe vai e entra com o maternalismo, para tentar apaziguar a situação incontrolável do moleque levado a bessa, fazendo PAC, favela bairro, programas de incentivo a cultura, entre outros assistencialismos, como as Bolsas Família, Saúde; que sempre brotam a cada semestre pros homens bons levarem mais um dim dimzinho.
Não adianta chorar no leite derramado, eu não consigo ver uma solução eficiente para melhorar esta situação, até porque quando esta for achada os marajás no poder vão acabar escondendo para continuar com este sistema de escravidão altamente lucrativo, o problema é que hoje em dia nós não temos nem mais os quilombos para recorrer.

Alface, O Monstro Das Apresentações Gastronômicas

Há certas coisas na vida eu nunca vou entender, algumas delas eu não ligo muito de entender, até porque se eu descobrir o sentido da vida, o meu samba vai acabar. Mas tem uma meia dúzia de três ou quatro coisas que me são muito indigestas, como esta:
-Por que!? As pessoas põem a droga da alface para melhorar a apresentação de um prato?
Digo-te, que não tenho problemas com essa leguminosa, até faço-lhe uma média clássica, como para prestigiá-la, não gosto muito, mas fazer o que? Tu chegas a um estágio na tua vida que você esta comendo de tudo e todas, com ressalvas.
Não tem sentido por a alface para melhorar a apresentação, é quase um paradoxo, ou uma antítese, fazer isto, pois para mim, o que ta no prato é para ser comido e ninguém come aquela planta! Também é um grande desperdício de comida, tanta gente passando fome no mundo. E também é anti-higiênico, pois você acha que nos restaurantes eles sempre estão cortando alfaces fresquinhas para botar na bandeja do filé e das fritas, em tese sim, mas acho eu que isso não deva acontecer.
Só para relembrar não tenho nojo de comida, mas sim de suas apresentações.
Talvez essa seja mais uma das questões que eu só vou entender após chegar a um nível de iluminação, espiritual ou alcoólica; mais superior, ou não. Na verdade eu tenho vontade de saber quem foi que inventou esta coisa asquerosa, nojenta, tosca e anti-solidária de deixar a alface ali suando abaixo da comida!
A salsinha pelo menos da um saborzinho, pode ser meramente ilustrativa e demonstrativa, mas é gostosa. Mas a alface suando embaixo de um gorgonzola, no canto de uma mesa de frios, quatro horas de apresentação, sem parar, sem dar uma refrigerada, toda ensebada, suada, rançosa, é um horror, o típico filme B de terror moderno. Volto a dizer pelo menos a salsinha da um sabor.
Acho que as pessoas deveriam anunciar quando a comida vem com aquela folha de alface, deveria ter um desconto para quem pedir sem a apresentação, até porque você não quer comer alface! Se você quisesse comer alface pediria uma salada de alface, pagaria caro, não ficaria satisfeito e depois pediria o prato principal: o belo, o santo bife com fritas sem a alface! Só que o garçom acha que você é um viado e nessa, ele não passa a informação para o chefe que põe a droga da alface. A culpa não é dele, o erro não é na base, é no topo. E vem o bendito bife com a alface suada, contaminando o sabor e o tempero hermeticamente preparado, você fica nervoso, estressado, cheio de ódio e come o prato que você pediu, puto e feliz ao mesmo tempo.
Eu estou cansado dessa demagogia gastronômica! Morte a esses hipócritas, lugar de alface é na salada e de salsinha na comida árabe!

No Simbolismo Mio

Não há simbolismo em versos esguios,
Que se confundem em belos semblantes, errantes.
E se você vê simbolismo em ereções e regurgitações,
Por favor, abra os olhos para ver os aviões!
As coisas não são reais por serem reais,
As coisas são reais, porque são normais!
Mas se você:
Na sua irrealidade transborda um simbolismo escroto,
Por favor, meu amigo, seja roubado dentro de um horto!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Funk Do Carioca

O funk é igual ao Rio de Janeiro, cheio de poluição sonora. É só você prestar a atenção e filosofar um pouquinho que você ira entender. Veja só, no funk sempre tem aquela voz feminina esganiçada dizendo, quer dizer gritando, palavras como:
-Solta essa porra!
Há também a voz masculina quebrando o tempo, pode ser gritando ou então em voz baixa para fazer uma contraposição com a voz feminina, proferindo palavras como:
-Vai sentando!
Tudo isso acompanhado de uma bela batida bem ritmada e empolgante, o clássico:
-Tchum tcha tcha tchum tchum tcha!
E numa sintonia perfeitamente hermética e cadenciada estão os barulhos de fundo, que são deste outra batida quase igual à batida básica, passando por gaitas diatônicas, trompetes, barulhinhos de msn até o maior clichê do funk: a clássica midi de tiro de teclados Casio.
Tirando esses fatores pragmáticos perfeitamente entendíveis depois de um engradado de cerveja, tem o fator que só depois de duas garrafas de Jack que a questão começa a ficar, como se diria menos esdrúxula. É simples, é só você entender que o Rio de Janeiro teve que evoluir muito para chegar ao nosso caos sonoro e urbano. Ele já foi uma vila, uma cidade, uma metrópole regional, e enfim uma metrópole nacional que sofre fortes influências das ondas de influência de São Paulo. Mas um dia, nós ainda vamos virar o jogo: tornando-nos uma cidade cosmopolita! É fato que o nível de barulho de hoje é muito maior do que há quatrocentos anos atrás, é claro que para aquela época o Rio era barulhento também, mas em proporções diferentes.
Agora veja como é diferente o funk de ontem para o funk de hoje em dia. Se você pegar uma música do início e for comparar com o mais recente proibidão, você irá entender a metáfora carioca e você também entenderá porque essa febre carioca deu certo e vai entrar para história. Mesmo não sendo fã, tenho que ter respeito por essa coisa tão carioca, fruto do nosso caos urbano e da nossa luta de classes. Enfim, para terminar digo:
-O funk carioca é o reflexo exagerado da nossa alma fluminense!

domingo, 12 de julho de 2009

Ratos Aperitivos

Existem poucas coisas no mundo que me estressam num bar. Além da falta de cerveja e a alta especulação monetária do cardápio, a coisa que mais me irrita são as comidas denominadas aperitivos. Quando eu vejo uma coisa dessas parece que estou vendo os fantasmas dos Natais passados! Prefiro comer um acarajé servido pelo chifrudo do que ver uma anomalia destas.
Essa é uma questão que Freud não conseguiu explicar: porque as pessoas se animam tanto quando vêem aperitivo após o nome da comida, como por exemplo, o clássico, filé aperitivo. Este ser pode até ser muito bom, mas parece que a porção fora feita pelos Vigilantes do Peso, e é ai que entra a questão: quis custodiet ipsos custodes? Malditos hipócritas parecem pastores evangélicos, pregando sermões que não existem.
É uma questão terrível. Tu comes dessas comidinhas aperitivos, que vem pouco, não rendem, às vezes vem fria, podem ser boas, mas são sempre muito, muito caras! Essas mais-valias de boteco são uns verdadeiros estorvos, pessoas morrem, ou pelo menos acabam lavando o prato, para pagar a mal (para mim), e bem (para o dono), provida conta.
A “comida aperitivo” é um câncer de botecos, quase sempre existente em botecos chiques. Aqueles tradicionais pés sujos reformados, ou então os bares de marca, que são aqueles que só a elite vai, não por causa do bar, mas por causa do nome; isso tudo reflete a falta de criatividade dos donos e também o toque da globalização nos botecos, as malditas franquias. A comida aperitiva só não conseguiu infectar os pé sujos, com o seu adorável ambiente nada familiar, com a tradicional família de rato, já na enésima geração de roedores cinzentos. O bar feio de comida boa e barata, o bar heroi, o tipo de bar que eu mais gosto de ir para filosofar em conjunto, com meus educadíssimos amigos neandertais. Pois qualquer coisa, a nossa falta de educação ou o nosso excesso de pudicidade que agride a ordem e o caos vigente, pode ser explicado pelo simples fatos de estarmos bêbados e todos acreditaram sem polemizar. Mas a melhor parte é a conta, dez contos de reis para cada um dos integrantes que se encontram empanturrados, embriagados e filosofados.
Te digo seriamente não tenho nojo de locais, só porque você vê os rattus você não come lá, mesmo a comida sendo boa a cerveja gelada e com a conta barata? E quem disse que não tem coisa pior na cozinha de bons restaurantes, que são caros, nem sempre com a cerveja gelada e com a comida podendo ser ruim. Já vistes Ratatouille? O filmezinho da Pixar do ratinho cozinheiro, achou bonitinho? Então, é um rato cozinhando para outros ratos, e se bobear às vezes esses ratos cozinham melhor do que nós ratos!