É incrível como tem alguns dias que são cheios, quer dizer, não cheios
temporalmente mais sim em seu significado para o mundo em si. Enquanto outros
passam despercebidos pela sua linda e clássica insignificância rotineira. Veja
só que dia importante foi sábado passado: foi o início da era de Aquários, foi
o dia de São Valentim, foi o dia depois da sexta feira 13, foi o aniversário da
Tia Ângela e a melhor coisa de todas foi o dia que acabou o horário de verão. Agora
vai voltar a anoitecer as seis ou as sete, sei lá, pois o que importa é que agora a noite vai durar mais um pouco. E tirando esses fatos globais, foi um
dia muito legal na minha vida. Até aí tá beleza, dia bom e tal, mas é nesse ponto agora que quero chegar: como deve se sentir aquele domingo que precedeu esse dia, ou então aquela segunda pacata e fatídica que veio depois daquele domingo triste, será que os dias menos importantes se juntam uma vez por mês para tomar um porre para ficarem felizes?
Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se suicidou. Esse dia sim
foi memorável e lastimável, esse dia tinha que ser lembrado como o 11 de
setembro de 2001 é lembrado. Esses dias foram incríveis, foram altamente importantes para a história, mas a grande questão é: como foram os outros dias perto desses, esses que não são lembrados, são esquecidos, onde muita coisa pode ter acontecido também, mas não são lembrados por falta de importância para a sociedade.
Eu tenho pena desses dias normais, pois todo dia é normal até que alguma coisa surpreendente aconteça. Acho que todos os dias deviam ser comemorados, apenas por serem dias, apenas por poderem ser um dia especial, apenas porque estamos vivos até o final, porque esta ficando muito difícil sobreviver nessa Terra violenta em que vivemos.
Lembro-me da teoria do tédio, que estava desenvolvendo com o parceiro Jena, que é mais ou menos assim: esses grandes acontecimentos aconteceram porque havia um grande tédio global pela data. É tudo culpa do nosso tédio pessoal, que se expande globalmente e toma proporções devastadoras. Essa teoria é um tanto niilista e muito metafórica e doida, esta em fase de aperfeiçoamento e teste, espero um dia ser publicada.
O dia é que nem um grande boteco. Acontece muita coisa ao mesmo tempo, cheio de clientes, cheio de comida e bebida, mas às vezes a comida acaba e a gente continua bebendo até o dia acabar. Em alguns dias esse boteco sofre uma reforma, ou cai um reboco, ou o dono ganha na Megasena, ou há uma batida policial. Tudo pode acontecer em um boteco.
Mesmo sendo boteco, ou dia mesmo ele é sempre esquecido, sempre mal tratado, sempre prejulgado.
Só para finalizar, se eu fosse um dia comum, um dia normal, eu bateria em todas as pessoas que esquecem de min, mas agradeceria a todas as pessoas se alguma delas me considerasse um dia especial, e me desculparia pelas que bati.
sexta-feira, 20 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
Trezentos ML
Escargot no espeto, a melhor frase do dia. Dia que começou maravilhosamente na praia da Barra, vendo ondas levando barracas, celulares, chinelos, pessoas. A cada onda que vinha, mais o caos se entranhava perante a areia e sobre as cucas queimadas e bundas rachadas das pessoas, o verdadeiro arrastão carioca! Deus realmente não existe, pois se existisse o celular da minha mama ainda estaria vivo depois de ter se sido afogado pelo mar, é por isso que permaneço cético e ateu, que nem o Woody Allen.
Ao decorrer do dia ganhei uma coloração rosada, acho que não vou dormir bem hoje, c’est la vie. Ao longo do dia recebi a notícia que o Salgueiro tinha ganhado o estandarte, também peguei só a chuva ao levar uma amiga minha ao ponto de ônibus, pena que é só amiga, e também descobri que na minha carteira faltava dinheiro, só tinha um puto, nem um chope podia eu tomar.
Escargot no espeto foi realmente a melhor coisa que eu vi hoje. Melhor, talvez não, mas a mais interessante, que também acho que não seja, de fato foi a mais engraçada. Foi àquela coisa, foi a frase certa no momento certo, as lesmas passando por cima de espetos de churrasco, os quais repousavam tranquilamente no chão após terem feito o seu serviço sacro. Ri bastante naquele momento, mas agora veio aqui a questão social dessa cena, porque os vendedores de churrasquinho, o vulgo file miau, não fazem o escargot no espeto, ia ser o ápice da malandragem carioca, vender a cinco o que os franceses pagam a cem.
Dica de harmonização anota aí: escargot no espeto acompanha farofa de ovo de dodô, molho a campanha, pois será uma real guerra, e Itaipava geladinha. Servir em prato fundo com garfo e faca e copo de plástico de trezentos ml.
Ao decorrer do dia ganhei uma coloração rosada, acho que não vou dormir bem hoje, c’est la vie. Ao longo do dia recebi a notícia que o Salgueiro tinha ganhado o estandarte, também peguei só a chuva ao levar uma amiga minha ao ponto de ônibus, pena que é só amiga, e também descobri que na minha carteira faltava dinheiro, só tinha um puto, nem um chope podia eu tomar.
Escargot no espeto foi realmente a melhor coisa que eu vi hoje. Melhor, talvez não, mas a mais interessante, que também acho que não seja, de fato foi a mais engraçada. Foi àquela coisa, foi a frase certa no momento certo, as lesmas passando por cima de espetos de churrasco, os quais repousavam tranquilamente no chão após terem feito o seu serviço sacro. Ri bastante naquele momento, mas agora veio aqui a questão social dessa cena, porque os vendedores de churrasquinho, o vulgo file miau, não fazem o escargot no espeto, ia ser o ápice da malandragem carioca, vender a cinco o que os franceses pagam a cem.
Dica de harmonização anota aí: escargot no espeto acompanha farofa de ovo de dodô, molho a campanha, pois será uma real guerra, e Itaipava geladinha. Servir em prato fundo com garfo e faca e copo de plástico de trezentos ml.
A Duvida, A Chuva E A Quarta-Feira De Cinzas
Todo carnaval tem seu fim, e o meu foi mais ou menos assim. Fui ver o bloco lá da VM, Vila Musical, o estúdio onde ensaio. O bloco tinha parado no Treze, um dos botecos da minha rua, o bloco tava animado, geral bebendo, batucando, cantando, dançando, tudo de bom. Até esse momento tava legal, pelo menos fora algo diferente do poker, que foi uma das únicas coisas que eu fiz durante o carnaval. É realmente uma coisa muito difícil ter vontade de fazer alguma coisa, mas ser impedido pelo fator vontade, sabendo que vontade é igual a dinheiro; a dinheiro, coisa que eu não vejo durar muito tempo na minha mão, isso tá se tornando um ciclo vicioso, ir do tudo ao nada em menos de cinco minutos.
Bem, aí lá pelas tantas, o bloco resolveu rumar até o estúdio, até porque acho que o dono do boteco não gosta muito de música, mas, ele deve ter faturado uma grana boa por fora. Aí, te falo que quando começaram a se movimentar, uns pingos d’água já começaram a se precipitar, ainda digo mais, deve ter dado uns quinze a trinta minutos até chegarem a pracinha que fica perto do estúdio. Mas foi muito engraçado o bloco andando no meio da rua, um bloco de no máximo umas trinta pessoas fechando a rua, geral torto e feliz, menos eu, D2 e o Surdo, pois nós sabíamos de alguma coisa.
Realmente sabíamos, pois logo depois do bloco se assentar lá no largo da Viúva, começou a chover, e a chuva aumentou muito rápido, a cena foi a seguinte: nós três debaixo da marquise de uma floricultura vendo o bloco brincar no meio da chuva e no meio da rua, para ser mais preciso na chuva e no meio da rua. E nós lá parados vendo as ruas encherem, rios a se formarem, sentindo aquele cheiro de maresia trazido pelo vento do mar, mesmo estando no meio do Grajaú.
Daí, nós revolvemos explorar perante os rios/ruas do Grajaú, mas não deu muito certo, a correnteza quase levou o chinelo do Surdo, e, a água doce meio salgado mais temperada de esgoto quase quebrou o celular do D2. Ainda bem que percebemos não muito cedo e nem tão tarde que não deveríamos prosseguir em nossa jornada, por isso, voltamos a estaca zero, ao nosso ponto de partida, o Treze, para esperar a maré descer ou a chuva parar e para também beber uma Original.
E agora estou cá para contar a vocês que perante mortos e feridos sobrevivemos a esta chuva torrencial carnavalesca, e depois de resolver todos esses problemas nos resta um maior ainda, o que faremos na Quarta-feira de Cinzas?
Bem, aí lá pelas tantas, o bloco resolveu rumar até o estúdio, até porque acho que o dono do boteco não gosta muito de música, mas, ele deve ter faturado uma grana boa por fora. Aí, te falo que quando começaram a se movimentar, uns pingos d’água já começaram a se precipitar, ainda digo mais, deve ter dado uns quinze a trinta minutos até chegarem a pracinha que fica perto do estúdio. Mas foi muito engraçado o bloco andando no meio da rua, um bloco de no máximo umas trinta pessoas fechando a rua, geral torto e feliz, menos eu, D2 e o Surdo, pois nós sabíamos de alguma coisa.
Realmente sabíamos, pois logo depois do bloco se assentar lá no largo da Viúva, começou a chover, e a chuva aumentou muito rápido, a cena foi a seguinte: nós três debaixo da marquise de uma floricultura vendo o bloco brincar no meio da chuva e no meio da rua, para ser mais preciso na chuva e no meio da rua. E nós lá parados vendo as ruas encherem, rios a se formarem, sentindo aquele cheiro de maresia trazido pelo vento do mar, mesmo estando no meio do Grajaú.
Daí, nós revolvemos explorar perante os rios/ruas do Grajaú, mas não deu muito certo, a correnteza quase levou o chinelo do Surdo, e, a água doce meio salgado mais temperada de esgoto quase quebrou o celular do D2. Ainda bem que percebemos não muito cedo e nem tão tarde que não deveríamos prosseguir em nossa jornada, por isso, voltamos a estaca zero, ao nosso ponto de partida, o Treze, para esperar a maré descer ou a chuva parar e para também beber uma Original.
E agora estou cá para contar a vocês que perante mortos e feridos sobrevivemos a esta chuva torrencial carnavalesca, e depois de resolver todos esses problemas nos resta um maior ainda, o que faremos na Quarta-feira de Cinzas?
(Nossa) Violência Gera Violência
A César o que é de César, talvez isso agora não faça muito sentido, então adaptarei essa frase para esse texto: ao Povo o que é do Povo, pois bem, ao acabar de ler essa crônica releia esse parágrafo, para melhor compreensão.
É lindo ver o povo feliz. É lindo ver um punhado de pessoas alegres do nada, bem não é muito bem do nada, mas a felicidade deles surge do nada, talvez essa felicidade do nada seja até uma questão niilista, ou talvez, seja apenas um bando de curiosos fofoqueiros com nada para fazer e com muita sorte de acontecer algo bizarro no meio da rua, naquele lugar e naquela exata hora. A felicidade do povo vem do acaso habitual de nosso habitat habitacional.
Digo-te uma coisa, é muito fácil deixar o povo feliz do nada. É bem simples: arranja uma briga no meio da rua, ou cria um barraco, ou um bate boca, ou xinga um guarda, ou bate num velho, ou bota uma mulher pra bater no segurança do shopping. Totalizando: violência, isso desperta as pessoas. As pessoas ficam intrigadas com a vida alheia, pra tu ver como o BBB dá certo, o povo gosta de fofoca, gosta de saber mais do que os outros, gosta de ver sangue, tumulto, voz de prisão, fica todo mundo atônito e eufórico ao mesmo tempo, a adrenalina sobe, parecem formigas atrás de doce.
Pense bem, o jornal é feito para informar, logo nós gostamos de ficar informados, se gostamos de ficar informados, informação é igual à fofoca. Só que o jornal é uma fofoca legal, regulamentada, o jornal tem o seu mérito, desde o mais podre até o jornal on-line. O jornal vai ter sempre algo para nos surpreender, que vai da morte de um elefante no México até a violência urbana no Rio.
É realmente uma coisa muito bonita de se ver, quer disser observar, porque ver é uma palavra muito pouco filosófica para tal questão, o certo mesmo é observar. Observar a reação das pessoas com a violência é incrível. Num primeiro momento vem o susto, o choque com o selvagem, com o desconhecido; depois a ânsia de vômito, as pessoas começam a achar aquilo muito forte e acham que vão sair traumatizadas; no final as pessoas chegam num estágio eufórico tão intenso que estas não sabem mais quem está certo ou errado. As pessoas se encantam com aquele circo, e estão lá esperando uma brecha para entrar, para pegar a onda. Como quando a gente é moleque, e fica esperando o cara passar no corredor polonês, ou esperando a sua vez no sete. Muito mais tarde vai vir à consciência, depois vai vir o trauma e logo em seguida a pessoa vai à igreja confessar, isso se o karma já não a pegar no meio da rua.
Esse é o nosso problema, incentivamos a violência subliminarmente, através de brincadeiras, jogos. Não estou dizendo que sou contra esses jogos, estou apenas dizendo que se um moleque está na lan house, jogando Counter Strike, matando geral, se divertindo, é uma coisa, mas se ele sair à rua e começar a matar geral é outra. A nossa sociedade é violenta, nós sobrevivemos através da violência. Agora, somos engolidos por ela, a violência é uma faca de dois legumes, a violência é uma cobra, pois quando a percebemos, nós já estamos estrangulados por ela.
Nós não podemos ir contra aos nossos instintos selvagens. Não podemos ir contra ao ser, do mesmo jeito que gostamos da violência, o comunismo não dá certo. Fazer o que? Nós somos os verdadeiros bons selvagens, fomos corrompidos pelo meio, nós somos tudo de ruim que achamos que somos, não sois máquina, homens é que sois!
É lindo ver o povo feliz. É lindo ver um punhado de pessoas alegres do nada, bem não é muito bem do nada, mas a felicidade deles surge do nada, talvez essa felicidade do nada seja até uma questão niilista, ou talvez, seja apenas um bando de curiosos fofoqueiros com nada para fazer e com muita sorte de acontecer algo bizarro no meio da rua, naquele lugar e naquela exata hora. A felicidade do povo vem do acaso habitual de nosso habitat habitacional.
Digo-te uma coisa, é muito fácil deixar o povo feliz do nada. É bem simples: arranja uma briga no meio da rua, ou cria um barraco, ou um bate boca, ou xinga um guarda, ou bate num velho, ou bota uma mulher pra bater no segurança do shopping. Totalizando: violência, isso desperta as pessoas. As pessoas ficam intrigadas com a vida alheia, pra tu ver como o BBB dá certo, o povo gosta de fofoca, gosta de saber mais do que os outros, gosta de ver sangue, tumulto, voz de prisão, fica todo mundo atônito e eufórico ao mesmo tempo, a adrenalina sobe, parecem formigas atrás de doce.
Pense bem, o jornal é feito para informar, logo nós gostamos de ficar informados, se gostamos de ficar informados, informação é igual à fofoca. Só que o jornal é uma fofoca legal, regulamentada, o jornal tem o seu mérito, desde o mais podre até o jornal on-line. O jornal vai ter sempre algo para nos surpreender, que vai da morte de um elefante no México até a violência urbana no Rio.
É realmente uma coisa muito bonita de se ver, quer disser observar, porque ver é uma palavra muito pouco filosófica para tal questão, o certo mesmo é observar. Observar a reação das pessoas com a violência é incrível. Num primeiro momento vem o susto, o choque com o selvagem, com o desconhecido; depois a ânsia de vômito, as pessoas começam a achar aquilo muito forte e acham que vão sair traumatizadas; no final as pessoas chegam num estágio eufórico tão intenso que estas não sabem mais quem está certo ou errado. As pessoas se encantam com aquele circo, e estão lá esperando uma brecha para entrar, para pegar a onda. Como quando a gente é moleque, e fica esperando o cara passar no corredor polonês, ou esperando a sua vez no sete. Muito mais tarde vai vir à consciência, depois vai vir o trauma e logo em seguida a pessoa vai à igreja confessar, isso se o karma já não a pegar no meio da rua.
Esse é o nosso problema, incentivamos a violência subliminarmente, através de brincadeiras, jogos. Não estou dizendo que sou contra esses jogos, estou apenas dizendo que se um moleque está na lan house, jogando Counter Strike, matando geral, se divertindo, é uma coisa, mas se ele sair à rua e começar a matar geral é outra. A nossa sociedade é violenta, nós sobrevivemos através da violência. Agora, somos engolidos por ela, a violência é uma faca de dois legumes, a violência é uma cobra, pois quando a percebemos, nós já estamos estrangulados por ela.
Nós não podemos ir contra aos nossos instintos selvagens. Não podemos ir contra ao ser, do mesmo jeito que gostamos da violência, o comunismo não dá certo. Fazer o que? Nós somos os verdadeiros bons selvagens, fomos corrompidos pelo meio, nós somos tudo de ruim que achamos que somos, não sois máquina, homens é que sois!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Arroz À Piamontese
O cara pega o telefone e disca. O telefone toca e uma moça atende:
- É do Motel Monte Olimpo, em que posso ajudá-lo?
-Oi! É que eu queria saber se tem alguma promoção?
-Ah, sim! Temos a promoção de hoje da suíte Zeus, três horas por sessenta reais, e na promoção vem incluso o jantar.
-Hum, qual é a comida?
-Escalopinho com arroz à piamontese.
-Tá, vocês aceitam Visa?
-Aceitamos senhor.
-Hum... Quase me esqueci, o que tem nessa suíte “Zeus”?
- Ah, bem, na suíte Zeus tem hidro, ofurô, uma cama king, um pole, tem também espelhos em cima da cama. A decoração do quarto é em estilo grego; tem fruta e vinho também, fora o jantar.
-Hum, interessante, mas não tem microondas?
-Não, não tem não. Porque deveria ter? – Foi nesse momento que a atendente não entendeu mais nada, foi nesse lindo momento que todo o profissionalismo e a calma foram por água abaixo.
-É claro que sim! Vocês são um motel tão bem conceituado, deveriam ter microondas nas suítes, principalmente nessa tal “Zeus”.
-Mas, mas, mas, para que o microondas? Não é um tanto perigoso com o microondas não?!
-Mocinha acho que você não me entendeu. Para que serve o microondas?
-Calma aí, deixa eu pensar, acho que para esquentar ou fazer comida né? Porque eu não consigo ver outra utilidade para o microondas.
-Viu, você acertou, para fazer comida, mais precisamente miojo.
-Mas senhor você já vai ter o jantar incluso.
-Por isso mesmo, se eu não comer eu pago menos?
-Não! Mas porque o senhor não quer comer aqui, o nosso arroz à piamontese é divino.
-Exatamente por esse divino aí, tu tá achando que eu sou burro, que eu nasci no século passado, bem, eu realmente nasci no outro século, mas não vem ao caso; então como dizia, tu acha que eu sou burro né, é claro que vocês usam outra coisa para deixar esse arroz divino.
-Não! Nada disso, nós compramos de um restaurante o arroz, nós não fazemos nada, só botamos em um prato bonitinho!
-Uhum, sei, sei, valeu, acho melhor vocês se adequarem aos novos tempos, beleza!
-Mas senhor nós podemos...- E o cara desligou na cara da atende, esta sem entender nada, ficou traumatizada e nunca mais comeu arroz à piamontese, que era o seu prato favorito, e o cara deve ter ido procurar algum motel com microondas, ou deve ter ficado mesmo em casa e pedido uma pizza, o que deve ser mais possível.
- É do Motel Monte Olimpo, em que posso ajudá-lo?
-Oi! É que eu queria saber se tem alguma promoção?
-Ah, sim! Temos a promoção de hoje da suíte Zeus, três horas por sessenta reais, e na promoção vem incluso o jantar.
-Hum, qual é a comida?
-Escalopinho com arroz à piamontese.
-Tá, vocês aceitam Visa?
-Aceitamos senhor.
-Hum... Quase me esqueci, o que tem nessa suíte “Zeus”?
- Ah, bem, na suíte Zeus tem hidro, ofurô, uma cama king, um pole, tem também espelhos em cima da cama. A decoração do quarto é em estilo grego; tem fruta e vinho também, fora o jantar.
-Hum, interessante, mas não tem microondas?
-Não, não tem não. Porque deveria ter? – Foi nesse momento que a atendente não entendeu mais nada, foi nesse lindo momento que todo o profissionalismo e a calma foram por água abaixo.
-É claro que sim! Vocês são um motel tão bem conceituado, deveriam ter microondas nas suítes, principalmente nessa tal “Zeus”.
-Mas, mas, mas, para que o microondas? Não é um tanto perigoso com o microondas não?!
-Mocinha acho que você não me entendeu. Para que serve o microondas?
-Calma aí, deixa eu pensar, acho que para esquentar ou fazer comida né? Porque eu não consigo ver outra utilidade para o microondas.
-Viu, você acertou, para fazer comida, mais precisamente miojo.
-Mas senhor você já vai ter o jantar incluso.
-Por isso mesmo, se eu não comer eu pago menos?
-Não! Mas porque o senhor não quer comer aqui, o nosso arroz à piamontese é divino.
-Exatamente por esse divino aí, tu tá achando que eu sou burro, que eu nasci no século passado, bem, eu realmente nasci no outro século, mas não vem ao caso; então como dizia, tu acha que eu sou burro né, é claro que vocês usam outra coisa para deixar esse arroz divino.
-Não! Nada disso, nós compramos de um restaurante o arroz, nós não fazemos nada, só botamos em um prato bonitinho!
-Uhum, sei, sei, valeu, acho melhor vocês se adequarem aos novos tempos, beleza!
-Mas senhor nós podemos...- E o cara desligou na cara da atende, esta sem entender nada, ficou traumatizada e nunca mais comeu arroz à piamontese, que era o seu prato favorito, e o cara deve ter ido procurar algum motel com microondas, ou deve ter ficado mesmo em casa e pedido uma pizza, o que deve ser mais possível.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Corta! Gordinho Morre Direito!
Rio de Janeiro, RJ, Tijuca, ou Andaraí, ou Grajaú, ou Vila Isabel, realmente não sei dizer qual bairro é o mais certo, pois a Rua Maxwell é muito extensa e pega todos esses bairros, eu acho. Como dizia, é uma grande rua e nesses casos tudo depende do ponto de vista, ou de referência, então o lugar que eu estou falando é bem na frente do supermercado Guanabara e do “hotel” Corinto, também é ao lado de uma pizzaria à lenha, também está no meio de dois postos da Petrobrás e está razoavelmente perto do Extra Boulevard e do Salgueiro.
Já se localizou? Mais uma dica, é ao lado do Mcdonald’s. Se achou agora? Se vossa senhoria não se achou, ainda, por favor, continue lendo esse texto ou se localize pelo Google Earth. Bem eu to falando do terceiro posto Petrobrás da Maxwell, o do meio, o que é ao lado do Mcdonald’s.
É o seguinte, acho aquele posto muito engraçado e americano, porque além da lojinha de conveniência do posto, tem um Domino’s, também tem um misto de Blockbuster com Lojas Americanas, uma fusãozinha capitalista básica. Acho que tem uma farmácia também, se não tem, deveria ter, pois ia faturar muito com Engov e com remédios contra infecção alimentar, pois o Big Mac e a pepperoni do Domino’s estão ali ao lado. Fora também os pivetes que residem por lá. Fora, que esse padrão de posto de gasolina com lojinhas, com aquela calçada bege mais pro branco é muito americano, californiano, para ser mais preciso. Sinto-me até um tanto ianque quando passo por lá, sinto-me canibalizado culturalmente, ninguém liga para um brasileiro virando estadunidense, na verdade até preferem e elogiam, ainda tenho minhas dúvidas se sofri canibalismo ou antropofagismo, não há nada a se fazer, é uma causa perdida.
Mesmo não sabendo como me devoraram, se foi com garfo e faca ou com as mãos, eu, Leonardo Alberto Pereira Dias sempre vejo a mesma cena quando passo por aquele posto a pé, picture it: estou eu lá andando normalmente, passando pelo posto, aí entra a câmera lenta e começa a tocar The Surfing Bird do The Trashmen, e quando a música está chegando no clímax, mais precisamente no início do refrão, um Maverick 72 preto para atravessado bem a minha frente, a música na verdade é quebrada pelo cantar do pneu. No seguinte momento fico com aquela cara de oração sem sujeito, sem entender nada, e saem do carro dois caras, um deles é um negão gritando - num sei o que num sei que lá motherfucker; e o outro é um branco caladão. Eles estão usando roupas normais nada de extraordinário, a única coisa incomum neles é que eles estão segurando respectivamente uma Uzi e uma Winchester, e apontando para min, tirando isso, são pessoas normais.
Bem, como era de se esperar eles atiram em min, o negão continua gritando motherfucker e o branco continua calado, e morro sem entender nada, com aquela cara sem expressão de morte e sem expressão de vida; pareço uma ameba boiando numa poça de sangue. Continuo sendo uma ameba até escutar uma voz dizendo:
-Corta! – e eu acordo assustado e vejo o Tarantino à minha frente, sentado na sua cadeira de diretor, ao redor vejo todo o pessoal da equipe de filmagem. O Tarantino se levanta e vem falar comigo:
- Gordinho, limpa o sangue e vê se morre direito! Eu quero ver mais sentimento!
O incrível é que isso passa num flash de sei lá, uns trinta segundos, realmente não sei, só sei que quando acaba eu já to passando pela frente da pizzaria mesmo, sendo enfeitiçado pelo aroma da lenha.
A moral mesmo é a seguinte, ia ser muito bom ter a segunda chance para morrer, ter o segundo take, e pegar o melhor, só para morrer sorrindo, feliz por ter recebido o lindo presente quente chamado bala, ou por ter recebido a visita da tal senhora, sossegado na poltrona de casa.
Já se localizou? Mais uma dica, é ao lado do Mcdonald’s. Se achou agora? Se vossa senhoria não se achou, ainda, por favor, continue lendo esse texto ou se localize pelo Google Earth. Bem eu to falando do terceiro posto Petrobrás da Maxwell, o do meio, o que é ao lado do Mcdonald’s.
É o seguinte, acho aquele posto muito engraçado e americano, porque além da lojinha de conveniência do posto, tem um Domino’s, também tem um misto de Blockbuster com Lojas Americanas, uma fusãozinha capitalista básica. Acho que tem uma farmácia também, se não tem, deveria ter, pois ia faturar muito com Engov e com remédios contra infecção alimentar, pois o Big Mac e a pepperoni do Domino’s estão ali ao lado. Fora também os pivetes que residem por lá. Fora, que esse padrão de posto de gasolina com lojinhas, com aquela calçada bege mais pro branco é muito americano, californiano, para ser mais preciso. Sinto-me até um tanto ianque quando passo por lá, sinto-me canibalizado culturalmente, ninguém liga para um brasileiro virando estadunidense, na verdade até preferem e elogiam, ainda tenho minhas dúvidas se sofri canibalismo ou antropofagismo, não há nada a se fazer, é uma causa perdida.
Mesmo não sabendo como me devoraram, se foi com garfo e faca ou com as mãos, eu, Leonardo Alberto Pereira Dias sempre vejo a mesma cena quando passo por aquele posto a pé, picture it: estou eu lá andando normalmente, passando pelo posto, aí entra a câmera lenta e começa a tocar The Surfing Bird do The Trashmen, e quando a música está chegando no clímax, mais precisamente no início do refrão, um Maverick 72 preto para atravessado bem a minha frente, a música na verdade é quebrada pelo cantar do pneu. No seguinte momento fico com aquela cara de oração sem sujeito, sem entender nada, e saem do carro dois caras, um deles é um negão gritando - num sei o que num sei que lá motherfucker; e o outro é um branco caladão. Eles estão usando roupas normais nada de extraordinário, a única coisa incomum neles é que eles estão segurando respectivamente uma Uzi e uma Winchester, e apontando para min, tirando isso, são pessoas normais.
Bem, como era de se esperar eles atiram em min, o negão continua gritando motherfucker e o branco continua calado, e morro sem entender nada, com aquela cara sem expressão de morte e sem expressão de vida; pareço uma ameba boiando numa poça de sangue. Continuo sendo uma ameba até escutar uma voz dizendo:
-Corta! – e eu acordo assustado e vejo o Tarantino à minha frente, sentado na sua cadeira de diretor, ao redor vejo todo o pessoal da equipe de filmagem. O Tarantino se levanta e vem falar comigo:
- Gordinho, limpa o sangue e vê se morre direito! Eu quero ver mais sentimento!
O incrível é que isso passa num flash de sei lá, uns trinta segundos, realmente não sei, só sei que quando acaba eu já to passando pela frente da pizzaria mesmo, sendo enfeitiçado pelo aroma da lenha.
A moral mesmo é a seguinte, ia ser muito bom ter a segunda chance para morrer, ter o segundo take, e pegar o melhor, só para morrer sorrindo, feliz por ter recebido o lindo presente quente chamado bala, ou por ter recebido a visita da tal senhora, sossegado na poltrona de casa.
Aleluia Irmãos, Minha Rotina Chegou
Maldito tédio me pegou hoje. Foi como um gancho bem dado me deixou desnorteado, sem rumo, sem reação, e o pior de tudo, ele chegou bem na natação, na verdade foi um pouco antes quando começou a chover. Esta desde o início dessa semana ameaçando chover mesmo, e quando eu estou saindo de casa, mais precisamente quando eu pus o pé pra fora da portaria começou a chover, não sei se foi o direito ou o esquerdo, naquele momento já não fazia mais diferença.
Porque a chuva resolveu cair na quinta? Não podia cair na segunda, pelo menos não foi o dia inteiro chuvoso, foi só à tarde, e pelo visto vai até a madrugada e se bobear faz a dobradinha com a sexta e emenda com o final da semana, pelo visto a próxima semana será chuvosa, espero estar errado.
Hoje tinha tudo pra ser um dia normal. Tinha passado minha manhã no Ferreira rindo e sacaneando. Mas, logo que cheguei a casa já tomei o primeiro baque do tédio, minha mamacita não estava passando muito bem, meu pai até chegou a casa mais cedo para levá-la ao médico, a partir daquele momento eu já não estava muito bem. Pensava em várias coisas ao mesmo tempo, como: mulher, cerveja, ser penetra numa festa cyberpunk, jazz, mulher, comida, pena pela mulher espancada por neonazistas, bateria, mulher, crônicas, mulher. Eu ainda tava bem, não muito, mas dava pra levar o resto do dia, até que o Surdo me ligou me chamando pra fazer algo, aí naquele momento eu me lembrei que hoje voltava à aula do CCAA, fiquei aflito, mas passou.
E fui nadar, a caminho da natação pensei mais de vinte vezes em voltar a casa, mas não ia adiantar muito, já estava molhado. Encontrava-me num estágio de pré-tédio, e logo que cheguei à beira da piscina, tudo veio à tona. Caí naquela lona fria e molhada, nocauteado, comecei a nadar sem tesão algum mesmo tendo uma mulher ao meu lado, a questão é: eu adoro nadar, a natação é a minha válvula de escape, eu realmente fico chapado, não penso em nada, mas hoje toda a aflição veio, percebei que estava sofrendo por antecipação, estava nadando em uma piscina cheia de rotina e tédio mundano. Todos aqueles planos para o ano logo se desmantelaram e pela primeira vez pareceram irreais, me senti com medo, com medo da rotina, com medo do tédio, com medo da vida e agora me encontro cheio de cloro no corpo escrevendo isso e bebendo um mate.
Mas o dia ainda não acabou. O ano ainda nem começou, para mim, a única coisa que eu posso fazer é ir pra minha aula hoje a noite e, quisá amanhã, ou outro dia beber um maravilhoso copo de Guinness, geladinho, para esquecer todas essas frustrações para mergulhar numa ilusão irlandesa. Esse sim, é o segundo melhor jeito para eu conseguir parar de pensar na vida tediosa, só espero que o meu meio tedioso não corrompa aquela piscina verde de cloro, a minha linda alusão irlandesa.
Porque a chuva resolveu cair na quinta? Não podia cair na segunda, pelo menos não foi o dia inteiro chuvoso, foi só à tarde, e pelo visto vai até a madrugada e se bobear faz a dobradinha com a sexta e emenda com o final da semana, pelo visto a próxima semana será chuvosa, espero estar errado.
Hoje tinha tudo pra ser um dia normal. Tinha passado minha manhã no Ferreira rindo e sacaneando. Mas, logo que cheguei a casa já tomei o primeiro baque do tédio, minha mamacita não estava passando muito bem, meu pai até chegou a casa mais cedo para levá-la ao médico, a partir daquele momento eu já não estava muito bem. Pensava em várias coisas ao mesmo tempo, como: mulher, cerveja, ser penetra numa festa cyberpunk, jazz, mulher, comida, pena pela mulher espancada por neonazistas, bateria, mulher, crônicas, mulher. Eu ainda tava bem, não muito, mas dava pra levar o resto do dia, até que o Surdo me ligou me chamando pra fazer algo, aí naquele momento eu me lembrei que hoje voltava à aula do CCAA, fiquei aflito, mas passou.
E fui nadar, a caminho da natação pensei mais de vinte vezes em voltar a casa, mas não ia adiantar muito, já estava molhado. Encontrava-me num estágio de pré-tédio, e logo que cheguei à beira da piscina, tudo veio à tona. Caí naquela lona fria e molhada, nocauteado, comecei a nadar sem tesão algum mesmo tendo uma mulher ao meu lado, a questão é: eu adoro nadar, a natação é a minha válvula de escape, eu realmente fico chapado, não penso em nada, mas hoje toda a aflição veio, percebei que estava sofrendo por antecipação, estava nadando em uma piscina cheia de rotina e tédio mundano. Todos aqueles planos para o ano logo se desmantelaram e pela primeira vez pareceram irreais, me senti com medo, com medo da rotina, com medo do tédio, com medo da vida e agora me encontro cheio de cloro no corpo escrevendo isso e bebendo um mate.
Mas o dia ainda não acabou. O ano ainda nem começou, para mim, a única coisa que eu posso fazer é ir pra minha aula hoje a noite e, quisá amanhã, ou outro dia beber um maravilhoso copo de Guinness, geladinho, para esquecer todas essas frustrações para mergulhar numa ilusão irlandesa. Esse sim, é o segundo melhor jeito para eu conseguir parar de pensar na vida tediosa, só espero que o meu meio tedioso não corrompa aquela piscina verde de cloro, a minha linda alusão irlandesa.
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